Carta aberta à Doutora Fernanda Câncio
A Porteira
09 de maio de 2018

Carta aberta à Doutora Fernanda Câncio

"Por isso, tomo por bom, como se costuma dizer, o que tem dito: que não soube, não desconfiou e não perguntou aos seus botões, de onde viria o dinheiro do Engenheiro. Parece-me que até agora, por o que tenho lido, ainda ninguém provou que a Doutora soubesse, nem os Doutores da justiça nem os outros."

Cara Doutora Fernanda, se me permite tratá-la assim, que a gente a bem dizer nunca fomos apresentadas. Mas é que isto de a ver tantas vezes na televisão e nos jornais é mais ou menos como se a conhecesse, mal comparado.

Estou a escrever-lhe uma carta aberta por duas razões: a primeira é que se me acabou a cola para fechar o envelope e li não sei onde — acho que na revista das Selecções — que isto que a gente fazia dantes que era lamber os envelopes e os selos é uma grande porcaria e estamos até sujeitas a apanhar qualquer coisa. E a segunda razão, que por acaso até é a mais importante, é para as outras pessoas também lerem, que para isso é que serve uma carta aberta, vá. E eu não mando dizer por ninguém.

Tenho ficado aqui a magicar para os meus botões da bata desde que li o seu artigo sobre o Engenheiro Sócrates. E digo-lhe já que tiro o meu chapéu, bom, a rede de dormir à noite para não estragar a mise, que chapéu não uso. Não deve de ter sido nada fácil escrever aquilo. Basta a gente se pormos um bocadinho no seu lugar, para percebermos que está a falar do Engenheiro, mas também está a falar da Doutora. E dos dois, vá. Não lhe gabo por isso a sorte de ter de fazer uma coisa dessas.

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