Pedro Sánchez responde a Trump: "A postura do Governo espanhol resume-se a... não à guerra"
Primeiro-ministro disse ser "contra este desastre" e pediu que os EUA, Israel e Irão cessem as hostilidades.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, fez esta quarta-feira uma declaração ao país, depois de Donald Trump ter ameaçado "cortar relações comerciais com Espanha pelo facto de o país não ter cedido as suas bases militares para apoiar a guerra no Irão. Sánchez esclareceu que "a postura do Governo resume-se a quatro palavras: 'no a la guerra' [não à guerra]."
O líder do executivo "exigiu" ainda que os Estados Unidos, Israel e o Irão cessem as hostilidades "antes que seja tarde demais". "Um ato ilegal não pode ser respondido com outro. É assim que começam os maiores desastres da história da humanidade", afirmou.
Sánchez recordou, com isto, o eclodir da guerra do Iraque, em 2003, que "levou a um mundo mais inseguro e a uma vida pior". “Há vinte e três anos, os EUA arrastaram-nos para uma guerra para eliminar as armas de destruição maciça de Saddam Hussein, para instaurar a democracia e garantir a segurança global. Na realidade, o efeito foi o oposto”, recordou ao fazer menção à insegurança, a um aumento do terrorismo jihadista e à subida dos preços da energia. “Esse foi o legado do trio dos Açores: um mundo mais inseguro e uma vida pior.”
E acrescentou: "Embora seja cedo demais para saber as consequências da atual guerra no Irão e no Médio Oriente, ela não trará uma ordem internacional mais justa, salários mais altos, melhores serviços públicos ou um ambiente mais saudável".
Sánchez revelou, por isso, ser "contra esse desastre" e a violação do direito internacional, à semelhança da posição que adotou no caso da Ucrânia ou de Gaza. “É inaceitável que alguns presidentes usem a cortina de fumo da guerra para mascarar os seus fracassos e enriquecer os mesmos de sempre, aqueles que lucram quando mísseis são construídos em vez de hospitais.”
Além das críticas a Trump, o primeiro-ministro espanhol também não poupou o Irão. “Condenamos o regime iraniano que reprime e mata os seus cidadãos, particularmente mulheres, mas ao mesmo tempo rejeitamos esse conflito e apelamos a uma solução diplomática e política. Alguns irão acusar-nos de ingenuidade por fazê-lo, mas a ingenuidade reside em pensar que a violência é a solução."
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