Os contratos permitiriam que empresas explorassem o fundo do mar e extraíssem depósitos de minerais críticos.
Um plano da administração norte-americana parra arrendar milhões de hectares perto da Fossa das Marianas para exploração em águas profundas gerou oposição por parte dos territórios estadunidenses no Pacífico.
Territórios dos EUA criticam planos para mineração nas águas do PacíficoFoto AP/Eugene Hoshiko
Trump está numa permanente corrida com a China pelo controlo dos minerais essenciais oceânicos. Por isso, na terça-feira a Administração de Minerais Marinhos, uma agência do Departamento da Administração Interna dos Estados Unidos, divulgou uma proposta para leiloar concessões de mineração em águas profundas para 28 milhões de hectares marinhos ao largo da costa das Ilhas Marianas do Norte e de Guam.
Os contratos permitiriam que empresas explorassem o fundo do mar e potencialmente extraíssem depósitos de minerais críticos, conhecidos como nódulos polimetálicos, que poderiam ser usados em baterias e tecnologias de defesa.
Muitos grupos ambientalistas opõem-se à mineração em águas profundas argumentando que são necessárias mais investigações sobre os efeitos que pode ter nos ecossistemas marinhos. O governador das Ilhas Marianas do Norte, uma comunidade autónoma dos Estados Unidos, David Apatang afirmou que o governo vai discutir a proposta da administração Trump “com extrema cautela”.
Apatang reconheceu a importância estratégica dos minerais, mas afirmou ser essencial que “nenhuma atividade, seja ela de levantamento ou de outra natureza, ocorra sem estudos científicos rigorosos, total transparência e proteções explícitas para os nossos recursos marinhos”.
Assim sendo a proposta será analisada “nos próximos 60 dias para garantir que a integridade ecológica das nossas águas e o bem-estar a longo prazo sejam totalmente protegidos”, afirmou.
Já o governador de Guam, um território não incorporado dos Estados Unidos, defendeu que “a segurança nacional não pode significar pedir ao povo do Pacífico que aceite riscos ambientais antes desses riscos serem totalmente compreendidos”. “Nós nos opomos inequivocamente aos esforços de mineração em águas profundas nesta região”, declarou Joshua Tenorio.
Antes de este anúncio por parte da administração Trump, já tinha sido aberto um processo de concessão de 12,4 hectares do fundo do mar da Samoa Americana - outro território não incorpurado dos Estados Unidos -, com planos de adjudicação dos contratos em novembro.
No entanto também o governador da Samoa Americana, Nikolau Pula, afirmou que o seu governo se continua a opor-se à mineração em águas profundas uma vez que processos de extração não testados podem prejudicar a indústria do atum, responsável por impulsionar a economia.
A 19 de agosto vários grupos ambientais da Samoa Americana e do Havai iniciaram processos judiciais contra o governo norte-americana para tentar impedir do leilão com alegações de que as agências federais não avaliaram o impacto destrutivo que a extração mineral poderia ter sobre os ecossistemas marinhos.
As associações alertaram que as máquinas de extração “podem destruir quase toda a vida por onde passarem” e “levantam sedimentos que podem introduzir substâncias tóxicas na cadeia alimentar e sufocar os ecossistemas do fundo do mar”.
“Mesmo a simples exploração de minerais no fundo do mar introduz um ruído extremamente alto no ambiente marinho, que pode prejudicar mamíferos e outros animais selvagens”, referem.
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