Familiares das vítimas do atentado de Manchester querem "noiva do ISIS" longe do Reino Unido

Cátia Andrea Costa 19 de fevereiro de 2019

Jovem que fugiu para se juntar ao ISIS disse que o ataque foi uma "retaliação" pelas "mulheres e crianças que morrem nos bombardeamentos" da Síria. Famílias reagiram e consideram que Shamima Begum representa um risco demasiado grande para o país.

Os familiares das vítimas do atentado em Manchester, em 2017, estão contra o possível regresso de Shamima Begum, que se juntou ao autoproclamado Estado Islâmico, ao Reino Unido. A jovem, atualmente com 19 anos, viajou para a Síria há quatro anos e agora pretende voltar a casa, junto com o filho que nasceu no passado sábado. A "noiva do ISIS" vive agora num campo de refugiados no norte da Síria, onde este sábado foi mãe pela terceira vez: os dois primeiros filhos morreram pequenos de doenças provocadas pela subnutrição.

Em declarações à BBC, Shamima comparou o atentado que matou 22 pessoas, a 22 de maio de 2017, durante um concerto de Ariana Grande, com as "mulheres e crianças [que vivem em território controlado pelo ISIS] mortas agora injustamente por bombardeamentos" da coligação internacional que combate os jihadistas. "É, na verdade, uma questão com dois lados porque crianças e mulheres estão a ser mortas no Estado Islâmico agora mesmo e [esse ataque] é uma espécie de retaliação. A justificação do ISIS é que foi uma retaliação; então, considero uma justificação justa".

Uma opinião que indignou os familiares das vítimas, que integravam um público constituído por grande número de crianças e adolescentes. "Não consigo lidar com a possibilidade de ela poder ser aceite de volta. Esse pensamento deixa-me doente", assumiu em declarações ao The Sun Charlotte Campbell, que perdeu a filha Olivia (15 anos) no atentado. Uma opinião secundada pelo sobrevivente Phil Dick para quem a opinião de Shamina "demonstra quão depravados são os apoiantes do ISIS e o motivo pelo qual nenhum deles deve ser aceite de volta".

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