A posição de Pequim surge depois de Donald Trump ter anunciado uma nova ofensiva económica contra o Irão, classificando-a como a "operação económica mais devastadora alguma vez empreendida contra qualquer país".
A China opôs-se esta sexta-feira à "guerra económica" declarada pela administração norte-americana ao Irão, apontando que as "sanções unilaterais ilegais" e as "pressões" de Washington não são a solução para o problema.
Donald Trump, presidente dos EUA AP
"As sanções e as pressões não permitirão resolver o problema. A China apela a todas as partes envolvidas para que tomem medidas responsáveis e resolvam o problema por via política e diplomática", afirmou Lin Jian, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, durante uma conferência de imprensa regular.
O mesmo responsável sublinhou que "a China opõe-se às sanções unilaterais ilegais que não têm qualquer fundamento no direito internacional e não contam com a autorização do Conselho de Segurança das Nações Unidas".
A posição de Pequim surge depois de, na quarta-feira, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado uma nova ofensiva económica contra o Irão, classificando-a como a "operação económica mais devastadora alguma vez empreendida contra qualquer país".
Na sua rede Truth Social, Trump avisou que qualquer país que permita às suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais proporcionar "qualquer tipo de tábua de salvação" ao Irão enfrentará, por sua vez, consequências económicas.
A advertência foi reforçada na quinta-feira pelo secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, que avisou que os aliados que não apoiem a ofensiva económica contra o Irão estarão contra Washington.
"Isto vai funcionar no Irão e vamos derrubar este regime", disse Scott Bessent, em entrevista à estação norte-americana CNBC, na qual se referiu à "maior operação coordenada de isolamento económico do mundo", reforçando palavras no mesmo sentido de Trump, que na véspera anunciou "um dia D" contra a economia iraniana.
Bessent apelou também à China para que "se alinhe" caso deseje "ver o estreito [de Ormuz] reaberto e os preços da energia a baixarem".
Mais de um quarto do comércio do Irão em 2024 foi realizado com a China, um grande consumidor de hidrocarbonetos iranianos e um parceiro estratégico e económico fundamental para o Irão.
Mais de 80% das exportações de petróleo iraniano tinham como destino a China antes da guerra, de acordo com a empresa de análise Kpler.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano considerou que as sanções e a "guerra económica" anunciadas por Donald Trump contra o Irão constituem um caso de "terrorismo económico" e de "crimes contra a humanidade".
"Não há dúvida de que as sanções económicas norte-americanas contra o Irão, que violam os direitos fundamentais de todos os cidadãos iranianos, constituem um caso de terrorismo económico e de crimes contra a humanidade", declarou a diplomacia de Teerão num comunicado, divulgado pela agência de notícias iraniana IRNA.
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