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Autoridades espanholas pedem fecho de 'chats' a WhatsApp e Telegram após distúrbios em Barcelona

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A responsável pela Administração Interna no governo regional sublinhou que o ocorrido no sábado em Barcelona foi organizado em plataformas digitais, sobretudo o TikTok, por contas com "identidades camufladas" que remetiam para grupos de mensagens no WhastApp e Telegram.

As autoridades espanholas sublinharam esta segunda-feira que os distúrbios e pilhagens em Barcelona no sábado foram "vandalismo puro" sem relação com qualquer protesto e apelaram ao WhatsApp e Telegram para fecharem 'chats' em que estão a ser feitas novas convocatórias.

Várias pessoas protestam em Barcelona
Várias pessoas protestam em Barcelona EPA/TONI ALBIR

"Aquilo que vimos em Barcelona este fim de semana não é um ato de democracia, é vandalismo puro instigado a partir das redes [sociais]", disse o primeiro-ministro, Pedro Sánchez, numa mensagem divulgada no X.

O líder do Governo sublinhou que há "uma investigação em curso" e que as 128 pessoas detidas "responderão perante a justiça", prometendo "tolerância zero com os violentos e pleno apoio aos agentes [de segurança] e aos comerciantes".

O governo regional, por seu turno, disse estarem a ser feitas novas convocatórias para ações semelhantes para o próximo sábado em Barcelona e pediu ao WhastsApp e ao Telegram para bloquearem as contas em que estão a ser partilhadas essas mensagens que incitam jovens "a semear o caos".

Em declarações hoje aos jornalistas, a responsável pela Administração Interna no governo regional, Núria Parlon, sublinhou que o ocorrido no sábado em Barcelona foi organizado em plataformas digitais, sobretudo o TikTok, por contas com "identidades camufladas" que remetiam para grupos de mensagens no WhastApp e Telegram. Nestes 'chats', havia indicações precisas de como chegar ao centro de Barcelona, como atuar ou que vestir (roupa negra e cara tapada).

Cerca de 500 jovens responderam a este apelo e 130 foram detidos na sequência dos distúrbios, destruição de mobiliário urbano, confronto com a polícia e da pilhagem de perto de 30 lojas, segundo as autoridades.

A maioria dos detidos (74) são menores de idade e o Ministério Público pediu hoje que seis deles sejam internados em instituições tuteladas pela justiça.

Núria Parlon sublinhou hoje que os jovens não tinham "nenhum outro objetivo" a não ser gerar o caos ou fazer roubos, sem ter havido qualquer movimento de manifestação ou protesto.

A governante catalã disse que a polícia vai pedir ao WhatsApp e ao Telegram que ajudem a identificar as pessoas por trás dos 'chats' e outros grupos e sejam fechadas etsas contas.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha, Jose Manuel Albares, por seu turno, afirmou que "as plataformas digitais têm uma responsabilidade muito importante na moderação" e que "os momentos eleitorais são momentos de especial fragilidade dentro de cada país", dando como exemplo ingerências na Roménia e na Alemanha.

Albares disse, em resposta a perguntas de uma jornalista, que neste momento não se sabe se houve alguma ingerência russa no ocorrido em Barcelona, mas que há uma invetsigação em curso.

Espanha vai ter eleições antecipadas em 29 de novembro e o ocorrido em Barcelona entrou de imediato na pré-campanha.

A direita e a extrema-direita estão a acusar o Governo, uma coligação de esquerda liderada pelos socialistas, de estar a incendiar as ruas em Espanha com a "negligência e passividade" com que responde a protestos e distúrbios ou mesmo por os permitir.

Já a esquerda condena estas afirmações, que considera pretenderem confundir distúrbios condenáveis e inaceitáveis com outras manifestações não violentas, como as da habitação, e "criminalizar os protestos pacíficos" que estão a ocorrer em Espanha.

Para os partidos de esquerda, distúrbios como os de Barcelona beneficiam a extrema-direita.

Segundo as autoridades espanholas, por trás dos distúrbios em Barcelona está uma grupo sem autores identificados que atua sob a palavra ou etiqueta "Blocus", e alegadamente em nome da "qualidade da escola", num lema e terminologia inspirados no movimento que há semanas mobiliza protestos em França.

Convocatórias semelhantes à de Barcelona foram feitas também nas últimas semanas noutros países europeus, como Itália, Bélgica ou Países Baixos, segundo a polícia catalã.

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