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Cheias já afetaram 652.189 pessoas, com o registo de 3.445 casas parcialmente destruídas.
As autoridades moçambicanas admitiram esta segunda-feira haver cobranças ilícitas para resgate das vítimas das cheias na província de Gaza, sul de Moçambique, prometendo responsabilizar quem esteja envolvido.
Cheias em MoçambiqueLUÍSA NHANTUMBO/LUSA
"Os barcos estão lá por indicação do Governo, então não se cobra nem uma quinhenta [50 centavo, para resgatar as vítimas]. Este é um comportamento desviante (...) vamos trabalhar para neutralizar essas pessoas e responsabilizar", disse Margarida Mapandzene, governadora da província de Gaza.
O delegado da provincial do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) disse que a instituição está a trabalhar para identificação dos técnicos salva-vidas que foram filmados e cujo vídeo foi partilhado nas redes sociais, condicionando ações de resgate ao pagamento de um valor de mil meticais (cerca de 13 euros).
"Estamos a trabalhar para identificar e vão ser punidos", disse Teixeira Almeida, delegado do INGD em Gaza.
De acordo com a base de dados do IINGD, a que a Lusa teve acesso, às cheias que se registam em vários pontos do país afetaram já 652.189 pessoas, equivalente a 141.317 famílias, com registo de 3.445 casas parcialmente destruídas, 767 totalmente destruídas e 153.417 inundadas.
Os dados do INGD referem ainda 45 feridos e quatro desaparecidos na sequência destas cheias em menos de 20 dias, numa altura em que centenas de famílias continuam sitiadas, a aguardar resgate, sobretudo no sul de Moçambique.
Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as últimas duas semanas de cheias, já morreram 131 pessoas em Moçambique, além de 144 feridos, e 779.528 pessoas foram afetadas, segundo os dados do INGD.
Em Maputo, as estradas Nacional 1, para norte, e Nacional 2, para sul, continuam intransitáveis, devido à subida das águas.
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