Atrás da cortina com Prémios Nobel

Moedas discursou num palco partilhado com génios de várias áreas, durante o maior festival científico do mundo - e ainda teve tempo para dar boleia a uma estrela do rock e pedir para conhecer outra, luso-descendente

A recepção de abertura do festival Starmus, em Trondheim, na Noruega, aproximava-se do fim. Carlos Moedas, o comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, esperava pela chegada do táxi que o iria levar ao hotel quando se cruzou com um homem alto, vestido de negro da cabeça aos pés que, com brincos nas orelhas e correntes ao pescoço, destoava das centenas de cientistas e convidados VIP para a festa organizada na residência do arcebispo da cidade. O português não fazia ideia de quem era. Mas quando um membro da comitiva lhe disse que aquele era Steve Vai, um dos mais conceituados guitarristas do mundo e cabeça-de-cartaz da componente cultural do encontro, não resistiu: "Importa-se de tirar uma fotografia?"

O músico não estranhou. Já com o retrato tirado, sem saber com quem estava a falar, quis saber onde poderia arranjar um táxi. Com o seu próprio transporte - uma carrinha de sete lugares - à espera, Carlos Moedas perguntou ao músico para onde ia. Ao perceber que estavam no mesmo hotel, nem hesitou: "Venha connosco, damos-lhe boleia."
Enquanto o comissário entrava no carro, Steve Vai chamou a mulher e o amigo que tinha chegado com eles à recepção e que se apresentou apenas como Devin. Já em movimento, o músico americano ficou curioso.

- Então, e o que você faz exactamente?
- Sou uma espécie de ministro para a inovação e ciência da Europa.
- Uau. Mas representa a Noruega?
- Não. Os 28 países, agora 27 com o Brexit.

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