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Ucrânia: Zelensky vai reparar oleoduto que fornece petróleo à Hungria

Lusa 14 de abril de 2026 às 14:42

A reparação deste oleoduto tem sido, nos últimos meses, o centro de um impasse entre a Ucrânia e a Hungria.

O Presidente ucraniano prometeu esta terça-feira que o oleoduto Druzhba, que fornece petróleo russo à Hungria, será reparado até ao final deste mês e disse esperar que Budapeste desbloqueie a atribuição de fundos europeus à Ucrânia.

Oleoduto a ser reparado por Zelensky, no fornecimento de petróleo à Hungria AP Photo/Sven Kaestner, File

Uma parte do oleoduto, que atravessa o oeste da Ucrânia, foi danificada em janeiro por um ataque aéreo de Moscovo.

"Em relação ao oleoduto, tal como prometemos, será reparado até ao final de abril, não completamente, mas o suficiente para estar operacional", disse Volodymyr Zelensky, durante uma visita a Berlim.

O chefe de Estado ucraniano admitiu esperar que a Hungria responda à reparação com o desbloqueio de um empréstimo europeu a Kiev de 90 mil milhões de euros.

"Nem todos os tanques de armazenamento serão reparados. É um processo longo, mas isso é outra questão", acrescentou.

A reparação deste oleoduto tem sido, nos últimos meses, o centro de um impasse entre a Ucrânia e a Hungria.

O primeiro-ministro, Viktor Orbán, sofreu uma derrota expressiva nas eleições legislativas de domingo, pelo que será substituído pelo conservador pró-europeu Péter Magyar.

Orbán fez desta questão um ponto central da campanha eleitoral, enquanto a Ucrânia, que luta contra a invasão russa em grande escala há mais de quatro anos, não tinha qualquer interesse em reabrir um oleoduto que traria um lucro inesperado para Moscovo.

Em março, Bruxelas propôs uma missão de inspeção ao oleoduto de Druzhba, numa tentativa de atenuar as tensões entre Kiev e Budapeste, mas Zelensky denunciou a proposta como "uma chantagem" europeia a Kiev.

Volodymyr Zelensky afirmou ainda estar pronto para se reunir com o futuro primeiro-ministro húngaro e declarou-se convicto de que a Ucrânia vai cooperar com a Hungria.

"Os nossos povos têm boas relações. Devemos preservar essas relações e complementar-nos. Somos vizinhos", disse.

O partido de Orbán, o Fidesz, obteve menos de um terço dos assentos parlamentares, tendo o partido Tisza, de Péter Magyar, conquistado mais de dois terços dos deputados.

A saída de Orbán faz desaparecer o principal obstáculo ao empréstimo de 90 mil milhões de euros da UE à Ucrânia, que Orbán vetou em março.

Ao contrário de Orbán, Magyar considera a Rússia como o agressor na guerra e afirma que a Ucrânia é a vítima.

No entanto, Magyar já indicou que a Hungria vai continuar a não enviar armas diretamente e opõe-se a uma adesão acelerada da Ucrânia à UE.

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