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Trump alegou sem fundamento problemas de saúde na Gronelândia

Lusa 25 de fevereiro de 2026 às 07:51

Apesar do difícil acesso em áreas remotas e da escassez de pessoal, foram alcançadas melhorias assinaláveis na ilha, que só assumiu a responsabilidade política pelo seu próprio sistema de saúde em 1992.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, referiu no sábado que ia enviar navio-hospital para a Gronelândia, alegando que muitas pessoas estão doentes e não recebem cuidados médicos, informações que são falsas segundo o 'factcheking' da agência Associated Press (AP).
Críticas russas ao envio de forças da NATO para a Gronelândia Evgeniy Maloletka / Associated Press
O anúncio de Trump levou a uma defesa do sistema de saúde da Gronelândia por parte do seu primeiro-ministro, no mais recente ponto de atrito com Trump, que fala frequentemente em anexar a Gronelândia, um território semiautónomo da Dinamarca, membro da NATO. Referindo-se ao seu enviado especial para o território ártico, Trump disse: "Em coordenação com o fantástico governador da Louisiana, Jeff Landry, enviaremos um grande navio-hospital para a Gronelândia para cuidar das muitas pessoas que estão doentes e não estão a receber cuidados médicos". O 'factchecking' realizado pela AP aponta que não houve relatos de doenças graves na Gronelândia recentemente e não ficou claro a que doença Trump se referia. Toda a Gronelândia, que tem uma população de cerca de 57 mil pessoas, é servida pelo Hospital Rainha Ingrid, na capital Nuuk, de acordo com o Jornal Médico Dinamarquês. O território conta ainda com diversos centros de saúde regionais. A maioria dos serviços de saúde na Gronelândia são gratuitos para os cidadãos e residentes permanentes. Em resposta à publicação de Trump, o primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, destacou o sistema de saúde gratuito da região e apontou as diferenças numa crítica ao sistema dos EUA. "Temos um sistema público de saúde onde o tratamento é gratuito para os cidadãos. Esta é uma escolha deliberada --- e uma parte fundamental da nossa sociedade", frisou Nielsen. "Não é assim nos EUA, onde é preciso pagar para consultar um médico", acrescentou.
Apesar do serviço de saúde gratuito, existem "grandes desafios de saúde pública" na vasta ilha, de acordo com o Centro de Saúde Pública da Gronelândia. Muitos destes desafios estão relacionados com as "profundas mudanças de uma sociedade de caçadores para uma sociedade moderna, industrial e do conhecimento" pelas quais o país passou num curto espaço de tempo. Cada vez mais, as pessoas sofrem de doenças como a obesidade, a diabetes e as doenças cardiovasculares. Anna Wangenheim, ministra da Saúde e das Pessoas com Deficiência da Gronelândia, publicou recentemente um pedido urgente na sua página de Facebook, informando que o serviço nacional de saúde necessitava de "dentistas para três cidades diferentes: Aasiaat, Paamiut e Nanortalik". Apesar do difícil acesso a serviços médicos em áreas remotas e da escassez de pessoal, foram alcançadas melhorias assinaláveis na Gronelândia, que só assumiu a responsabilidade política pelo seu próprio sistema de saúde em 1992, explicou Lene Seibæk, professora do Instituto de Saúde e Natureza da Universidade da Gronelândia. "Em 2020, a esperança de vida na Gronelândia era de aproximadamente 71 anos para os homens e 77 anos para as mulheres, representando um aumento de cerca de seis anos para os homens e de cinco a seis anos para as mulheres desde a década de 1990, superando a média global", acrescentou Seibæk. Trump alegou ainda que navio-hospital norte-americano já estava a caminho da Gronelândia, mas, segundo o 'factchecking' da AP, os navios-hospital USNS Mercy e USNS Comfort estão num estaleiro em Mobile, no Alabama, de acordo com publicações nas redes sociais do próprio estaleiro, mostrando os dois navios-hospital brancos lado a lado no final de janeiro. Os dados de rastreio de navios disponíveis publicamente mostram que ambos os navios ainda estão no estaleiro.
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