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Tragédia nas Maldivas: já foram retirados dois corpos do fundo do mar

Isabel Dantas 19 de maio de 2026 às 12:57

Cadáveres de Monica Montefalcone, investigadora e professora na Universidade de Génova, de 52 anos, e de Federico Gualtieri, biólogo marinho de 31, foram transferidos para a capital Malé.

A equipa de mergulhadores da DAN Europe já conseguiu trazer para a superfície os corpos de dois dos cinco italianos que morreram na quinta-feira nas Maldivas. Segundo a imprensa local, foram recuperados os cadáveres de Monica Montefalcone, investigadora e professora na Universidade de Génova, de 52 anos, e de Federico Gualtieri, biólogo marinho de 31, que foram transferidos para a capital Malé.

Mergulhador prepara-se para entrar na água AP

A operação prossegue amanhã, com o intuito de resgatar os corpos de Muriel Oddenino, bióloga marinha, de 31 anos, e Giogia Sommacal, filha de Monica Monforte, de 23, que ainda estão na mesma gruta subaquática, a 60 metros de profundidade, no atol de Vaavu.

"A recuperação do corpo de Federico Gualtieri significa muito. Agora a família tem um corpo para chorar", disse o advogado e amigo da família do mergulhador, Antonello Riccio, citado pela imprensa italiana. "Os pais agradecem às autoridades locais e à equipa de resgate."

Recorde-se que as operações de busca estão a ser levadas a cabo por três mergulhadores finlandeses, com uma longa experiência internacional em neste tipo de missões. Estão munidos com equipamentos técnicos que lhes permite descer até aos 60 metros em segurança. Ontem estiveram 155 minutos debaixo de água, numa missão de alto risco, uma vez que os corpos estão numa gruta recôndita e, para lá chegar, é preciso passar por um sistema de túneis que se estreitam e alargam, com correntes imprevisíveis e visibilidade muito reduzida. Depois de identificarem as condições ambientais e operacionais, e de localizarem as vítimas, seguiu-se a remoção dos corpos e dos respetivos equipamentos, essenciais para se perceber o que correu mal. 

Munidos de rebreathers de circuito fechado - um sistema que permite reciclar o gás exalado - estes profissionais conseguem fazer mergulhos mais longos do que o normal. Além disso, levam para as grutas veículos de propulsão subaquática, que lhes permite percorrer distâncias maiores nos túneis estreitos contrariando as fortes correntes.

A entrada da gruta - onde foi encontrado o corpo de Gianluca Benedetti, o instrutor de mergulho de 44 anos, logo no dia do acidente -, estreita-se num corredor de 30 metros de comprimento e entre 1,5 e 2,5 metros de altura. Foi aí que os mergulhadores das Maldivas ficaram nas primeiras missões de resgate. Segue-se depois um sobe e depois desce, como um sifão, que dá acesso à segunda gruta, que é muito grande, com 40 metros de altura e entre 20 e 60 metros de profundidade. Aí há vários becos sem saída e foi num deles, a cerca de 60 metros de profundidade, que foram encontrados os corpos dos quatro italianos que, segundo o porta-voz do governo local, Ahmed Shaam, estão "praticamente todos juntos".

Na última quinta-feira os cinco deslocaram-se até ao Atol de Vaavu a bordo do iate 'Duke of York' com mais 20 passageiros italianos e mergulharam, aparentemente para explorar grutas subaquáticas naquele local, a uma profundidade de mais de 50 metros. Só que algo correu mal e nenhum deles conseguiu regressar a bordo. 

No sábado um mergulhador das Forças de Defesa Nacional das Maldivas , aumentando para seis o número de vítimas desta tragédia.

Os corpos serão, depois, repatriados para serem autopsiados. O Corriere della Sera avança que a procuradoria de Roma está a investigar o caso por homicídio culposo.

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