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Tragédia nas Maldivas: duas das vítimas não tinham licença para mergulhar no país

Isabel Dantas 18 de maio de 2026 às 08:55

Cinco italianos morreram na última quinta-feira no âmbito de uma alegada missão de exploração de grutas subaquáticas.

O porta-voz do presidente das Maldivas contou ao jornal italiano Corriere della Sera que dois dos cinco italianos que morreram na última quinta-feira no país, quando exploravam grutas subaquáticas a uma profundidade abaixo dos 50 metros, não tinham licença para mergulhar nas águas do país. No caso, a filha da professora Monica Montefalcone, Giorgia Sommacal, de 23 anos, e o guia Gianluca Benedetti, instrutor de mergulho, de 44 anos, cujo corpo foi o único a ser resgatado até ao momento. Além disso, o governo do país não sabia que a equipa de exploradores ia mergulhar em grutas, pois a licença foi pedida apenas para explorar atóis. 

A professora Monica Montefalcone foi uma das vítimas desta tragédia AP

"A equipa da Universidade de Génova realiza pesquisas anuais nas Maldivas há pelo menos quatro anos. Tinham submetido uma proposta de pesquisa específica sobre corais moles e a composição dos recifes das Maldivas ao Departamento de Pesquisa Marinha, que deu sinal verde. Eles tinham as licenças necessárias", começa por explicar Mohamed Hussain Shareef ao jornal italiano.

"O limite dos 30 metros aplica-se ao mergulho recreativo. Os investigadores podem propor mergulhos mais profundos e não há nenhuma lei específica nas Maldivas que o impeça. O principal problema é que fizeram um mergulho em grutas e a proposta de pesquisa deles, até onde eu sei, não mencionava isso. Eles especificavam os atóis, mas não os detalhes sobre os locais de mergulho." 

O mesmo responsável acrescentou que "apenas três dos cinco mergulhadores são mencionados no pedido da licença como membros da equipa de investigação, no caso Federico Gualtieri (biólogo), Muriel Oddenino (investigadora) e Monica Montefalcone (professora). Tinham autorização, válida entre 3 e 17 de maio, para pesquisarem em seis atóis diferentes, incluindo Vaavu", onde acabaram por morrer. 

Não se sabe ao certo se as cinco vítimas tinham o equipamento necessário para um mergulho a esta profundidade, embora se tratassem de mergulhadores experientes. "Isso faz parte da investigação."

Os cinco chegaram ao atol de Vaavu a bordo de um iate, o 'Duke of York', juntamente com outros 20 italianos, que entretanto já regressaram a casa e nos próximos dias serão interrogados, no âmbito de um inquérito aberto pelas autoridades italianas. A pesquisa desta equipa, conforme confirmado por um documento de fevereiro, é conduzida entre os 0 e os 50 metros de profundidade. Mas no casos das grutas em questão, estima-se que a profundidade possa atingir os 60 metros. "Ainda estamos a investigar a profundidade atingida. Sabemos que a entrada da gruta fica a 47 metros."

O porta-voz do presidente das Maldivas adiantou ainda que a tragédia "foi um golpe muito duro" também para o seu país. "Temos um vínculo especial com Itália, a professora (Monica Montefalcone) era uma pessoa muito especial, pois dedicou muitos anos de sua vida profissional à pesquisa neste país.” 

Estima-se que os corpos dos quatro italianos estejam numa câmara profunda de uma das grutas, o torna o resgate dos corpos extremamente difícil. Um experiente mergulhador do exército das Maldivas de recuperação dos corpos e as buscas foram suspensas. Devem ser retomadas esta segunda-feira, depois da chegada da equipa da DAN Europe (Divers Alert Network Europe), especializada em operações de resgate e recuperações subaquáticas, que foi responsável pela retirada das 12 crianças tailandesas de uma gruta em 2018.

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