Serviço militar obrigatório e rearmamento: Conheça Gotland, a ilha sueca que se prepara para uma invasão russa
A ilha localiza-se no Mar Báltico, uma posição estratégica para a Rússia chegar aos países da NATO.
Depois de anos de desmilitarização, a ilha sueca Gotland está a reforçar novamente a capacidade militar por temer uma invasão russa. Localizada no Mar Báltico, está situada num ponto estratégico, a partir do qual a Rússia poderia controlar os países da NATO. Por prevenção, a ilha instituiu serviço militar obrigatório, investiu em armamento e aposta na autossuficiência.
O diretor-geral da agência sueca de defesa civil e resiliência (MCF, na sigla em inglês), Mikael Frisell, afirmou, citado pelo The Guardian: "Estamos a viver uma situação mundial muito grave e percebemos que, no Mar Báltico, estamos muito próximos da Rússia e que ocorrem incidentes tanto na superfície como em águas profundas."
De modo a assegurar a “defesa total” de Gotland, Frisell avançou que são necessárias uma “presença militar e uma defesa civil fortes, robustas e resilientes. Isso contribuirá para a defesa coletiva da NATO nesta região.”
Gotland fica a 275 quilómetros de Kaliningrado, território russo altamente militarizado entre a Lituânia e a Polónia. O controlo da ilha daria à Rússia acesso a operações marítimas e aéreas na região. A invasão russa da Ucrânia, em 2022, e consequente tensão na Europa, acelerou a ilha a investir na capacidade de defesa.
Os planos de defesa da Suécia para 2025-2030 incluem a possibilidade de um ataque surpresa da Rússia, seja por via aérea ou marítima. A defesa da ilha é importante, por isso, tanto para a Suécia como para a NATO. O país já aumentou o investimento na defesa para 2,8% do PIB em 2026 e prevê um investimento de 3,1% a partir de 2028.
A ilha já tinha sido desmilitarizada e, desde 2005, passou de 25 mil soldados em quatro regimentos para um batalhão reduzido da Guarda Nacional. Em 2018, a base P18, na cidade de Visby, foi restabelecida e, desde então, tem sido reforçada a uma velocidade sem precedentes, acelerada pela invasão da Ucrânia. É nessa base que centenas de jovens cumprem agora serviço militar obrigatório de 15 meses. Desde a adesão da Suécia à NATO, em 2024, a ilha tornou-se num espaço para treinos militares da aliança.
Surgem também planos dirigidos à população, que incluem inventários dos recursos disponíveis em cada vizinhança, como água, eletricidade e comunicações. Outra das preocupações diz respeito ao abastecimento da ilha com bens essenciais, em caso de ataque, motivo pelo qual os civis tentam tornar-se cada vez mais autossuficientes. Preparam-se também para lidar com vítimas em massa, gerir munições não detonadas e realizar buscas em edifícios destruídos.
Ainda este ano, Gotland quer fazer um simulacro de evacuação de emergência dirigida a várias centenas de pessoas, que terão de se deslocar de uma ilha para outra.
Embora não exista, de momento, uma ameaça real, Gotland está determinada a defender o território em caso de ataque, com um grupo de combate de cerca de 4.500 militares. Em declarações ao The Guardian, o Coronel Andreas Gustafsson, comandante do exército sueco em Gotland, afirmou: “Defenderíamos Gotland e faríamos tudo o que estivesse ao nosso alcance para impedir que a Rússia estabelecesse uma posição.” O coronel espera, ainda assim, que a militarização da ilha sirva como fator dissuasor suficiente.
Com Diogo Barreto