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Rússia condena sanções "ilegítimas" dos Estados Unidos a Cuba

Lusa 31 de janeiro de 2026 às 12:25

Em profunda crise energética e económica, Cuba tem dependido fortemente da ajuda estrangeira e de carregamentos de petróleo de aliados como o México, a Rússia e, anteriormente, a Venezuela.

O ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia condenou este sábado as pressões exercidas pelos Estados Unidos sobre Cuba, com a imposição de novas medidas restritivas que considerou "ilegítimas".
Maria Zakharova, porta-voz dos Negócios Estrangeiros da Rússia EPA
"Trata-se de uma nova e radical reincidência na repetida estratégia de Washington de máxima pressão sobre a Ilha da Liberdade, cujo objetivo é asfixiar economicamente a ilha", afirmou a porta-voz dos Negócios Estrangeiros, Maria Zakharova, num comunicado. Zakharova acrescentou, ainda, que as sanções contra Havana carecem de legitimidade, assim como a pressão sobre os seus líderes e cidadãos. "Estamos convencidos de que, apesar dos obstáculos externos ao seu desenvolvimento, Cuba continuará a manter relações económicas efetivas" com outros países, disse Zakharova. O vice-presidente do Senado russo, Konstantín Kosachiov, qualificou nesta sexta-feira de "absurdas" as declarações sobre a suposta ameaça que Cuba representaria para os Estados Unidos, e que levaram o Presidente dos EUA, Donald Trump, a declarar uma emergência nacional. Assegurou que "está claro que Cuba não representa uma ameaça para os Estados Unidos, enquanto que a ameaça americana [à ilha] perdura há décadas e agora é particularmente elevada". Segundo Kosachiov, a justificação para a declaração de emergência nacional é "absolutamente absurda". O Presidente norte-americano, Donald Trump, assinou na quinta-feira um decreto que permite ao seu Governo impor tarifas alfandegárias de nível não especificado a países que vendem petróleo a Cuba. "Pode ser imposta uma tarifa adicional 'ad valorem' (baseada no valor estimado) às importações de bens produzidos por um país que vende ou fornece petróleo direta ou indiretamente a Cuba", afirma o decreto publicado pela Casa Branca. Em profunda crise energética e económica, Cuba tem dependido fortemente da ajuda estrangeira e de carregamentos de petróleo de aliados como o México, a Rússia e, anteriormente, a Venezuela.
A Presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, disse na terça-feira que o seu Governo suspendeu, pelo menos temporariamente, os envios de petróleo para Cuba, sublinhando tratar-se de uma "decisão soberana", sem pressão dos Estados Unidos. Em sentido contrário, a Venezuela expressou na sexta-feira solidariedade com Cuba, criticando as "medidas punitivas" e o decreto do Presidente norte-americano que permite aplicar direitos aduaneiros aos países que vendem petróleo a Havana. Na mesma nota, Caracas expressou "solidariedade com o povo de Cuba". Na sexta-feira também a China condenou as medidas dos Estados Unidos contra abastecimento energético de Cuba. Na ordem executiva, assinada na quinta-feira, Trump classificou Cuba como uma "ameaça invulgar e extraordinária" para a segurança e a política externa dos Estados Unidos. No mesmo dia da assinatura, Havana considerou o decreto como um "ato brutal de agressão". No início deste mês, pouco depois da captura do ex-Presidente venezuelano Nicolás Maduro, numa operação militar norte-americana em Caracas, Trump já tinha ameaçado o Governo cubano, sugerindo que Havana aceitasse um acordo com os Estados Unidos, sem explicar a natureza desse pacto. Díaz-Canel afirmou então que não existia "qualquer discussão" em curso entre Cuba e os Estados Unidos. Após a captura de Maduro, Trump colocou sob controlo norte-americano o setor petrolífero da Venezuela, que, desde os anos 2000, tem sido o principal fornecedor de petróleo a Cuba, um dos aliados mais próximos de Caracas. Cuba, sujeita a um embargo dos Estados Unidos desde 1962, enfrenta há três anos fortes carências de combustível, com impacto direto na produção de eletricidade. A medida do Presidente americano, que afirma que "Cuba não poderá sobreviver", promete agravar a crise na ilha, já agravada pelo corte no envio de crude venezuelano após a derrubada de Nicolás Maduro.
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