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Quem é Tom Homan, o ‘czar das fronteiras' que Trump vai enviar para o Minnesota?

Gabriela Ângelo 30 de janeiro de 2026 às 07:00

Homan tem sido defensor de algumas das políticas mais polémicas da administração de Donald Trump e agora irá supervisionar as operações de fiscalização de imigrantes ilegais em Minnesota na sequência de duas mortes às mãos de agentes do ICE.

Esta semana o presidente dos Estados Unidos anunciou que ia enviar o seu ‘czar das fronteiras', Tom Homan, para Minnesota para realizar operações de fiscalização de imigrantes ilegais no Estado. A decisão foi tomada dias depois de mais uma pessoa ter sido morta a tiro por agentes da agência de imigração, ICE, e de , chefe de patrulha da fronteira dos EUA, ter sido destituído. 
Tom Homan a dar uma conferência de imprensa em frente à fronteira que separa o México dos Estados Unidos AP
“Vou enviar Tom Homan para Minnesota esta noite”, escreveu Trump nas redes sociais esta segunda-feira, 26. “Ele não esteve envolvido nesta área mas conhece e gosta de muitas pessoas de lá. Tom é duro, mas justo, e reportará diretamente a mim”, acrescentou. Mais tarde, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, explicou numa publicação que Homan irá “gerir as operações do ICE em Minnesota para continuar a prender os piores criminosos imigrantes ilegais”.  Desde que foi nomeado para diretor interino do ICE durante o primeiro mandato de Donald Trump, Homan tem sido defensor de algumas das políticas mais polémicas da administração, como a separação de crianças e famílias que tentam atravessar a fronteira para os EUA, a deportação de cidadãos norte-americanos e a deportação de crianças norte-americanas com pais imigrantes. Em 2018, numa entrevista à agência noticiosa Associated Press, defendeu que “quem está no país [EUA] ilegalmente, deve preocupar-se”. “As pessoas perguntam-me constantemente: porque deportou aquele homem que está cá há 12 anos e tem dois filhos cidadãos americanos? Eu respondo que foi porque ele não teve o devido processo legal”, defendeu. “As pessoas pensam que eu gosto disso, eu sou pai, as pessoas acham que isso não me incomoda, eu sinto-me mal com a situação dessas pessoas”, revelou à publicação, explicando que apesar de não gostar, tem “um trabalho a fazer”. 
Natural do estado de Nova Iorque, Homan de 64 anos começou a sua carreira como agente da polícia antes de ingressar na patrulha de fronteira em 1984, no sul da Califórnia. Segundo o canal de televisão britânico BBC, quatro anos depois ingressou no Serviço de Imigração e Naturalização, subindo na hierarquia das forças de segurança de imigração ao longo dos anos. Em 2013, durante o governo de Barack Obama, esteve à frente da divisão encarregue das operações de fiscalização e remoção do ICE e em 2017 reformou-se
Contudo, durante uma festa para marcar o início da sua reforma, poucos dias antes do início do primeiro mandato de Trump, recebeu uma chamada do chefe de gabinete da altura, John Kelly, a pedir que liderasse o ICE a pedido do presidente. Em 2024, recebeu uma chamada semelhante da atual chefe de gabinete, Susie Wiles, que o levou a sair novamente da reforma.  Nesse mesmo ano, em entrevista ao programa do canal norte-americano CBS News, Homan afirmou que a campanha de deportação em massa do presidente envolvia prisões seletivas. “Não vai ser uma varredura em massa dos bairros, não vai ser a construção de campos de concentração, eu já li tudo, isso é ridículo”, explicou.  Mas este ano, uma vez que o Departamento de Segurança Interna, que lidera o ICE, ficou aquém das quotas internas para a detenção de imigrantes, a agência decidiu ampliar as suas operações para fiscalizações em massa e aumentou a presença em comunidades com uma grande concentração de imigrantes. Segundo o canal televisivo ABC, em 2013, sob a administração de Obama, terão sido realizadas 432 mil deportações, enquanto durante a primeira administração de Trump não ultrapassaram as 350 mil.  Homan tem sido alvo de escrutínio desde que assumiu o seu cargo enquanto ‘czar das fronteiras' nesta segunda administração Trump, mas não é apenas por defender as políticas de imigração do presidente. Em setembro do ano passado, o jornal norte-americano noticiou que o ‘czar’ tinha sido apanhado em 2024 a receber uma mala que continha 50 mil dólares, pouco mais de 41 mil euros, em dinheiro por agentes secretos do FBI.  Este encontro de Homan com agentes do FBI levou-o a ser investigado por potenciais casos de suborno e outros crimes, depois de ter aceite o dinheiro e de ter concordado em ajudar os agentes, que se faziam passar por empresários, a garantir futuros contratos governamentais relacionados com a segurança das fronteiras. Pouco tempo depois o Departamento de Justiça encerrou a investigação. 
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