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Quem é Péter Magyar, a maior ameaça ao governo de Orbán?

Sofia Parissi 10 de abril de 2026 às 18:01

Péter Magyar surgiu como principal adversário de Viktor Orbán após cortar laços com o Fidesz, em 2024. As eleições legislativas húngaras que podem ditar o fim de Orbán acontecem este domingo.

Sobrinho-neto do antigo presidente da Hungria Ferenc Mádl e neto do antigo juiz do Supremo Tribunal Pál Eross, Péter Magyar foi criado no seio de uma família política conservadora, em Budapeste. Agora, aos 45 anos, lidera o partido Tisza e apresenta-se como o maior opositor ao governo do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, que está há 16 anos no poder.

Péter Magyar discursa com a bandeira da Hungria numa manifestação AP Photo/Denes Erdos

Magyar nasceu em 1981, na Hungria, e formou-se em Direito, enquanto Orbán cumpria o primeiro mandato como primeiro-ministro, entre 1998 e 2002. Mais tarde, juntou-se ao partido Fidesz - União Cívica Húngara, atualmente a liderar o governo húngaro, desempenhou funções como diplomata húngaro em Bruxelas e trabalhou para várias empresas estatais. Por volta dessa altura, conheceu Judit Varga, com que se casou em 2006 e que viria a tornar-se ministra da justiça.

Em 2023, Magyar divorciou-se, e em fevereiro de 2024, também decidiu cortar laços com o Fidesz. "Passado algum tempo, tornei-me cada vez mais crítico, tanto em público como em privado. Posso dizer-lhe que o Fidesz que vemos hoje é muito, muito diferente daquele a que me juntei em 2002", disse numa entrevista ao correspondente da , Nick Thorpe.

Numa outra entrevista ao canal do YouTube Partizán, que alcançou milhões de visualizações, Magyar disse que esperava por uma "mudança política" e teceu duras críticas ao governo em funções. Logo a seguir, juntou-se ao Tisza, fundado em 2020, e desde dessa altura o partido tem vindo a crescer.  

Em 2024, a Hungria atravessava uma crise política, depois da presidente Katalin Novák apresentar a demissão, após conceder um indulto a um homem que tinha ajudado a encobrir abusos sexuais num lar infantil, na Hungria. Judit Varga também se demitiu devido ao envolvimento no caso e Magyar anunciou que iria mudar de rumo. "Apresento hoje a minha demissão dos cargos que ocupo em ambas as empresas estatais", anunciou o político conversador no Facebook, . E acrescentou: "Há muito tempo que acredito numa ideia, numa Hungria nacional, soberana e civil, e por muitos anos tentei contribuir com os meus modestos recursos para que isso acontecesse (...)". 

O candidato às eleições legislativas húngaras chegou a publicar uma gravação de áudio em que Varga mencionava casos de corrupção no governo, e a ex-mulher também o acusou de violência doméstica - Maygar negou as acusações. No que toca à campanha política, que tem consistido em percorrer o país e até já envolveu uma caminhada de 300 quilómetros a pé, o político promete medidas duras contra a imigração ilegal, a resolução de problemas relacionados com a saúde e a educação, a reparação das relações com a UE e NATO, e a diminuição da dependência da energia russa até 2035. Além disso, opõe-se ao envio de armas para a Ucrânia e à entrada acelerada do país na UE. 

Sobre a imigração ilegal, disse, numa publicação no Facebook: "Entrar ilegalmente num país não é um direito humano fundamental. Todo o estado tem o direito e o dever de proteger as suas fronteiras". 

A situação económica na Hungria - , o país tinha uma das taxas de inflação anual mais elevadas entre os países da UE  - também pode ter ajudado o partido Tisza a crescer. Em março de 2024, cerca de 35 000 pessoas apareceram num protesto liderado por Péter Magyar e as sondagens atuais dão-lhe vantagem sobre o Fidesz.

As eleições legislativas húngaras realizam-se este domingo, 12 de abril. Cerca de nove milhões de húngaros são chamados a votar.

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