Quem é Péter Magyar, a maior ameaça ao governo de Orbán?
Péter Magyar surgiu como principal adversário de Viktor Orbán após cortar laços com o Fidesz, em 2024. As eleições legislativas húngaras que podem ditar o fim de Orbán acontecem este domingo.
Sobrinho-neto do antigo presidente da Hungria Ferenc Mádl e neto do antigo juiz do Supremo Tribunal Pál Eross, Péter Magyar foi criado no seio de uma família política conservadora, em Budapeste. Agora, aos 45 anos, lidera o partido Tisza e apresenta-se como o maior opositor ao governo do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, que está há 16 anos no poder.
Magyar nasceu em 1981, na Hungria, e formou-se em Direito, enquanto Orbán cumpria o primeiro mandato como primeiro-ministro, entre 1998 e 2002. Mais tarde, juntou-se ao partido Fidesz - União Cívica Húngara, atualmente a liderar o governo húngaro, desempenhou funções como diplomata húngaro em Bruxelas e trabalhou para várias empresas estatais. Por volta dessa altura, conheceu Judit Varga, com que se casou em 2006 e que viria a tornar-se ministra da justiça.
Em 2023, Magyar divorciou-se, e em fevereiro de 2024, também decidiu cortar laços com o Fidesz. "Passado algum tempo, tornei-me cada vez mais crítico, tanto em público como em privado. Posso dizer-lhe que o Fidesz que vemos hoje é muito, muito diferente daquele a que me juntei em 2002", disse numa entrevista ao correspondente da BBC, Nick Thorpe.
Numa outra entrevista ao canal do YouTube Partizán, que alcançou milhões de visualizações, Magyar disse que esperava por uma "mudança política" e teceu duras críticas ao governo em funções. Logo a seguir, juntou-se ao Tisza, fundado em 2020, e desde dessa altura o partido tem vindo a crescer.
Em 2024, a Hungria atravessava uma crise política, depois da presidente Katalin Novák apresentar a demissão, após conceder um indulto a um homem que tinha ajudado a encobrir abusos sexuais num lar infantil, na Hungria. Judit Varga também se demitiu devido ao envolvimento no caso e Magyar anunciou que iria mudar de rumo. "Apresento hoje a minha demissão dos cargos que ocupo em ambas as empresas estatais", anunciou o político conversador no Facebook, em 2024. E acrescentou: "Há muito tempo que acredito numa ideia, numa Hungria nacional, soberana e civil, e por muitos anos tentei contribuir com os meus modestos recursos para que isso acontecesse (...)".
O candidato às eleições legislativas húngaras chegou a publicar uma gravação de áudio em que Varga mencionava casos de corrupção no governo, e a ex-mulher também o acusou de violência doméstica - Maygar negou as acusações. No que toca à campanha política, que tem consistido em percorrer o país e até já envolveu uma caminhada de 300 quilómetros a pé, o político promete medidas duras contra a imigração ilegal, a resolução de problemas relacionados com a saúde e a educação, a reparação das relações com a UE e NATO, e a diminuição da dependência da energia russa até 2035. Além disso, opõe-se ao envio de armas para a Ucrânia e à entrada acelerada do país na UE.
Sobre a imigração ilegal, disse, numa publicação no Facebook: "Entrar ilegalmente num país não é um direito humano fundamental. Todo o estado tem o direito e o dever de proteger as suas fronteiras".
A situação económica na Hungria - em 2025, o país tinha uma das taxas de inflação anual mais elevadas entre os países da UE - também pode ter ajudado o partido Tisza a crescer. Em março de 2024, cerca de 35 000 pessoas apareceram num protesto liderado por Péter Magyar e as sondagens atuais dão-lhe vantagem sobre o Fidesz.
As eleições legislativas húngaras realizam-se este domingo, 12 de abril. Cerca de nove milhões de húngaros são chamados a votar.