Presidente da Tunísia garante que o país não é "guarda de fronteira da Europa"
A Itália pretende atingir um acordo com a Tunísia semelhante com aquele que a União Europeia tem com a Turquia para conseguir deportar migrantes que não se qualificam para receber asilo no país.
O presidente tunisino, Kais Saied, afirmou que o país do norte de África não pretende ser "guarda de fronteira da Europa" poucas horas antes de uma reunião sobre migração com a presidente da Comissão Europeia e os primeiros-ministros italiano e holandês.
Ursula von der Leyen, Giorgia Meloni e Mark Rutte vão oferecer assistência financeira à Tunísia durante uma visita ao país este domingo, um dos tópicos em cima da mesa será a tentativa de desbloquear um pacote de resgate do Fundo Monetário Internacional.
Apesar deste aparente apoio Kais Saied garantiu que a crise migratória europeia não vai ser resolvida na Tunísia. Durante uma visita à cidade portuária de Sfax, ponto principal para a saída de migrantes de barco para Itália garantiu: "A solução não será às custas da Tunísia…não podemos ser guardas dos países europeus".
A Itália pretende atingir um acordo com a Tunísia semelhante com aquele que a União Europeia tem com a Turquia para conseguir deportar migrantes que não se qualificam para receber asilo no país.
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália, Antonio Tajani, vai estar em Washington na próxima semana e poderá ter um papel importante para convencer o FMI a libertar a primeira parcela de um empréstimo de resgate de cerca de 1,8 mil milhões de euros.
Um pacote de resgate do FMI à Tunísia está parado há meses porque Kais Saied rejeitou as reformas económica necessárias para o início do pacote de resgate, mas Itália tem tentado que o FMI concretize o empréstimo.
Após sete anos de negociações paradas entre os ministros da Administração Interna dos países da União Europeia para um novo pacto de migração e asilo. Os 27 decidiram concordar com as exigências italianas para decretar uma nova regra que permitirá retornos a países em transição, mesmo que o migrante tenha estado apenas dias ou semanas no país.
Países do Mediterrâneo e da Europa Central como a Itália, Grécia, Hungria e Áustria já demonstraram o receio de que os números da migração aumentem este verão.
Durante o ano de 2022 chegaram à Europa quase um milhão de migrantes irregulares, dos quais 120 mil já foram considerados inelegíveis para o asilo.
Itália pretende "defender as fronteiras externas"
Em setembro de 2022 Giorgia Meloni chegou ao poder depois de fazer uma campanha com base em promessas de reprimir a migração irregular.
A visita deste domingo à Tunísia é a segunda em cerca de uma semana e o tema da migração volta a marcar uma semana em que Meloni também se reuniu com o chanceler alemão, Olaf Schols, com uma agenda que incluía "defender as fronteiras externas" e "combater as rotas usadas pelos traficantes de pessoas".
Na sexta-feira as forças especiais italianas invadiram um cargueiro turno que se encontrava numa rota até França após uma suposta tentativa de sequestro por um grupo de migrantes que conseguiu embarcar.