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Portugal junta-se à condenação de projeto israelita que ameaça dividir a Cisjordânia

Renata Lima Lobo 21 de agosto de 2026 às 10:44

Vários países emitiram comunicados em condenação de um projeto israelita que prevê a construção de mais de 3.000 habitações na Cisjordânia, território da Palestina. Muitos consideram uma ameaça à solução de dois Estados e à paz.

A decisão do Governo israelita de avançar com concursos para a construção de 1.200 habitações no controverso projeto E1, na Cisjordânia ocupada, desencadeou uma vaga de condenações a nível internacional. Portugal juntou-se às críticas, num momento em que cresce a preocupação com a expansão dos colonatos israelitas e o seu impacto na solução de dois Estados.

Ministro das Finanças israelita apresenta projeto E1 Ohad Zwigenberg/AP

Numa mensagem , o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português afirmou que "a decisão do Governo de Israel de avançar com o projeto E1 deve ser fortemente condenada", acrescentando que a expansão dos colonatos "afasta as partes ainda mais da solução de dois Estados, consolidando a separação entre o Norte e o Sul da Cisjordânia". Na mesma nota, o MNE também condenou "os sucessivos atos de violência cometidos por colonos israelitas na Cisjordânia" e garantiu que continuará, "com a UE e a Comunidade Internacional", a defender uma paz "justa, abrangente e duradoura" assente no direito internacional.

A posição portuguesa surge em linha com a declaração conjunta divulgada pelo Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Noruega e Canadá, países que classificaram como "inaceitável" a decisão israelita de lançar concursos para o projeto E1. O texto da declaração afirma que a comunidade internacional se opõe há muito tempo à expansão prevista e sustenta que o projeto "comprometerá uma perspetiva da solução de dois Estados ao criar uma divisão na Cisjordânia e prejudicar a continuidade territorial dos Territórios Palestinianos”. Os subscritores recordam ainda que a posição internacional considera ilegais os colonatos israelitas na Cisjordânia.

A declaração vai mais longe ao apelar às empresas para que não concorram às obras, alertando para potenciais "consequências legais e reputacionais, incluindo o risco de se envolverem em violações graves do direito internacional”.

O que é o projeto E1?

O E1 corresponde a uma área com cerca de 12 quilómetros quadrados localizada entre Jerusalém Oriental e o grande colonato israelita de Ma'ale Adumim, prevendo a construção de cerca de 3.400 habitações, acompanhadas de infraestruturas e ligações rodoviárias. Segundo o , durante décadas, sucessivos governos israelitas evitaram avançar com o projeto, encontrando forte oposição internacional, mesmo de anteriores administrações dos Estados Unidos, histórico aliado de Israel.

Durante uma conferência de imprensa de apresentação do projeto, a 14 de agosto, o ministro das Finanças israelita, Bezalel Smotrich, anunciou os planos para o E1 e classificou a aprovação como um passo que "apaga na prática a ilusão dos dois Estados", declarando que "o Estado palestiniano está a ser retirado da mesa não com slogans, mas com ações". Para já, foi anunciada a publicação dos concursos para as primeiras 1.234 habitações.

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