Pedro Sánchez nega "corrupção generalizada" apesar de "caso grave e flagrante" de ex-ministro
Primeiro-ministro de Espanha reiterou que vai continuar a governar.
O primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, reconheceu esta quarta-feira "um caso flagrante e grave de corrupção" com antigos dirigentes do Partido Socialista Espanhol (PSOE), que disse desconhecer e que "nunca teria tolerado", e reiterou que vai continuar a governar.
"Um caso flagrante e grave de corrupção" de pessoas "que se aproveitaram do peso que tinham" no PSOE e no Governo "para ganhar dinheiro", mas não há financiamento ilegal no partido, disse Sánchez, referindo-se ao ex-ministro dos Transportes José Luis Ábalos, condenado esta semana a mais de 24 anos de prisão por corrupção com a compra de máscaras durante a pandemia, quando ainda estava no Governo.
Este caso das máscaras deu origem a outra investigação mais alargada, que ainda decorre, que envolve Ábalos e outro ex-dirigente do PSOE, Santos Cerdán, ambos considerados antigos "braços direitos" de Sánchez.
"Nunca conheci nem teria tolerado nenhuma destas práticas" e o PSOE e o Governo respeitam e acatam as sentenças conhecidas esta semana, disse hoje Sánchez, que falava no parlamento nacional, numa sessão agendada a seu pedido "para informar" os deputados "sobre a situação política relacionada com as últimas investigações judiciais conhecidas".
O primeiro-ministro e líder do PSOE disse ser "plenamente consciente" de que as últimas semanas em Espanha foram marcadas por "uma corrente de notícias judiciais" que causam "legítima preocupação e confusão", mas em que se misturam processos muito diferentes, alguns com fundamento e outros falsos e baseados "em rumores e meias verdades", que atores políticos e mediáticos "tentam comparar", para confundir e gerar "uma sensação de corrupção generalizada que não existe".
Neste contexto, voltou a separar os casos confirmados ou em investigação que envolvem ex-dirigentes do PSOE dos da mulher e do irmão, Begoña Gómez e David Sánchez, respetivamente, que considera serem vítimas de "uma série de ações" para enfraquecer o Governo e o próprio primeiro-ministro, que têm por trás campanhas de desinformação e associações ligadas à extrema-direita e de que se aproveitam alguns partidos.
Tanto no caso de Begoña Gómez como no de David Sánchez, o Ministério Público considerou não haver matéria para julgamento ou condenação e relatórios das investigações judiciais e policiais desmentiram acusações de que são alvo, sublinhou hoje o primeiro-ministro, que já tinha dito anteriormente, a propósito destes dois processos, que há "juízes que fazem política" em Espanha.
Reiterando que confia na justiça espanhola e que "a imensa maioria dos juízes" faz um "trabalho exemplar", Sánchez pediu "à justiça que faça justiça" em todos os casos, incluindo no do ex-primeiro-ministro e antigo líder do PSOE José Luís Zapatero, indiciado por tráfico de influências e branqueamento de dinheiro num processo aberto para investigar o resgate público da companhia aérea Plus Ultra, em 2021.
Pedro Sánchez realçou hoje que Zapatero não ocupa qualquer cargo político há 15 anos e reiterou que o resgate da empresa foi legal e transparente, no contexto de ajudas excecionais concedidas por acusa da pandemia de covid-19, como certificaram instâncias nacionais e europeias.
Sobre Zapatero, considerou que "não pode haver ainda conclusões", por a investigação estar numa fase inicial, mas reiterou confiança na declaração de inocência do ex-líder socialista.
Sublinhando que o PSOE e o Governo atuaram "desde o primeiro minuto" perante suspeitas de corrupção que envolviam ex-dirigentes, nomeadamente com a suspensão e expulsão do partido ou pondo em marcha medidas "de supervisão e prevenção" da corrupção, Sánchez, que tem ouvido reiterados pedidos de demissão e de antecipação das eleições previstas para 2027, voltou hoje a afirmar que pretende continuar a Governar.