Os bastidores do tiroteiro no jantar dos correspondentes da Casa Branca
Enquanto os membros da administração Trump foram retirados da sala, os jornalistas começaram a trabalhar e houve até quem pedisse mais champanhe.
Nem todos reagiram da mesma forma ao incidente no jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca na noite de sábado, madrugada de domingo, em Washington. O presidente Donald Trump, a sua esposa Melania, JD Vance e vários membros da administração norte-americana foram retirados da sala onde estava a ocorrer o evento depois de terem sido ouvidos tiros à entrada do hotel enquanto os outros convidados e jornalistas ficaram na local do evento.
Dez minutos depois de terem sido disparados os primeiros tiros, por volta das 20h45 locais, os agentes do serviço secreto e das autoridades norte-americanas abandonaram a sala deixando os jornalistas e outros convidados lá dentro. “Ficámos debaixo das mesmas por aproximadamente dez minutos e conseguia ouvir a polícia a andar pela sala. Quando nos levantámos, o estrado estava vazio e cadeiras, guardanapos e pão estavam atirados para o chão. Assim que foi declarado seguro, os jornalistas começaram a trabalhar”, escreveram os jornalistas do The Washington Post.
Ao mesmo tempo que os jornalistas voltaram ao trabalho outros convidados abandonaram o local ou optaram por continuar a divertir-se. Erika Kirk, viúva do influencer conservador e aliado de Trump assassinado em setembro, foi vista a abandonar o hotel em lágrimas visivelmente transtornada. Já outros convidados, segundo o New York Times, aproveitaram a refeição e foram ouvidas questões como: “Vão trazer mais champanhe?” ou “Vai acabar a salada?”.
Os convidados que abandonaram a sala não puderam voltar a entrar, mas, para aqueles que se mantiveram no local, a refeição foi retomada por volta das 21h35.
"O atirador foi detido e eu avisei que 'o espetáculo tem de continuar', mas deixámos a decisão inteiramente a cargo das forças da lei. Elas tomarão uma decisão em breve. A primeira-dama [Melania Trump], bem como o vice-presidente [JD Vance] e todos os membros do Governo, estão de perfeita saúde", escreveu depois na Truth Social.
O presidente descreveu o suspeito, numa conferência de imprensa, como um “potencial assassino” que tinha várias armas: “Esta não é a primeira vez que nos últimos anos a nossa República é atacada por um potencial assassino que procurava matar”. Trump reforçou mais uma vez a necessidade de avançar com uma das obras mais esperadas por si desde o seu regresso à Casa Branca: o salão de baile para que eventos como este sejam concretizados com mais segurança.
Teorias da conspiração
Nas redes sociais foram precisas poucas horas para serem divulgadas nas redes sociais teorias da conspiração que afirmam que a tentativa de ataque foi encenada. Esta conspiração tem por base as declarações feitas pela jornalista Aishah Hasnie, presente no jantar, que revelou que o marido de Karoline Leavitt, porta-voz da Casa Branca, lhe pediu para "ter muito cuidado” pouco tempo antes do tiroteio acontecer.
Além disso Karoline Leavitt referiu, em declarações à imprensa antes do jantar: “No discurso de hoje à noite vamos ter o Donald Trump clássico. Será engraçado, será divertido. Esta noite vão ser disparados alguns tiros no salão”. A expressão em inglês - there will be some shots fired in the room tonight - é normalmente associado a comentários provocatórios ou críticos, normalmente feitos em público.