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Médicos Sem Fronteiras suspendem parte das operações hospitalares em Gaza devido a intimidações

Diogo Barreto 14 de fevereiro de 2026 às 18:44

A presença de homens armados e não identificados dentro do hospital Nasser motivaram a suspensão de atividades médicas não críticas.

A organização sem fins lucrativos Médicos Sem Fronteiras anunciou este sábado que vai suspender parte das operações num dos maiores hospitais na Faixa de Gaza devido à presença de homens armados e encapuçados A organização acredita que os seus profissionais não têm condições de segurança para continuar o seu trabalho.
AP Photo/Abdel Kareem Hana
Num comunicado publicado no portal da organização humanitária, os Médicos Sem Fronteiras (MSF) informaram que todas as atividades médicas não críticas no hospital Nasser foram suspensas devido a “falhas de segurança”, referindo que a presença de homens armados representam “ameaças graves à segurança das equipas médicas e dos doentes”. “As equipas dos MSF relataram um padrão de atos inaceitáveis, incluindo a presença de homens armados, intimidação, detenções arbitrárias de doentes e uma situação recente de suspeita de movimentação de armas”, refere o comunicado. O Hospital Nasser, na cidade de Khan Younis, é um dos poucos ainda operacionais no enclave que está sob ataque israelita desde 2024. Centenas de doentes e feridos de guerra foram ali tratados, e a unidade serviu também de ponto de acolhimento para prisioneiros palestinianos libertados por Israel em troca de reféns israelitas, no âmbito do acordo de cessar-fogo. O Ministério do Interior controlado pelo Hamas, que supervisiona a força policial em Gaza, anunciou que a polícia será destacada para garantir a segurança dos hospitais e eliminar a presença de homens armados, indicando que instaurará processos judiciais contra os infratores e que está a implementar medidas mais rigorosas para assegurar a segurança dos doentes.
Por esclarecer está quem são os homens armados, pois os MSF afirmaram não estarem em condições de o especificar, nem a que fação pertencem. Funcionários do Hospital Nasser afirmam que, nos últimos meses, a unidade foi repetidamente atacada por membros de tribos armadas e milícias, apesar da presença policial no local e que os ataques se intensificaram desde o fim do cessar-fogo entre Israel e Palestina. Os MSF acrescentaram que as suas preocupações foram também agravadas por anteriores ataques deliberados de Israel contra instalações de saúde durante o conflito. Ao longo da guerra, Israel atacou hospitais em diversas ocasiões, incluindo o Hospital Nasser, acusando o Hamas de operar no seu interior ou nas imediações. Elementos de segurança do Hamas foram igualmente vistos com frequência dentro de hospitais, bloqueando o acesso a determinadas áreas.
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