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Israel tentou colocar crocodilos numa prisão de detidos palestinianos mas tribunal travou o plano

Luana Augusto 05 de agosto de 2026 às 14:35

Fosso destinado aos crocodilos estava a ser construído desde o final de julho, mas um tribunal decidiu suspender o plano na sequência de uma petição que denunciou maus-tratos aos animais e perigo para os funcionários.

O plano estava já em andamento: o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, tinha ordenado a construção de um fosso na prisão de Ketziot, onde estão detidos prisioneiros palestinianos, para albergar crocodilos quando, no domingo, o Tribunal Distrital de Jerusalém bloqueou o projeto, avançou a emissora israelita KAN. O fosso já estava a ser construído desde o final de julho e, segundo fonte do Conselho Regional de Ramat Hanegev, que tem jurisdição sobre a prisão, no final era expectável que tivesse "cerca de ".

Israel tentou colocar crocodilos numa prisão de detidos palestinianos Bernd Weißbrod/picture-alliance/dpa/AP Images

A decisão de suspensão do projeto acabou, no entanto, por ser tomada depois da organização de direitos dos animais Let the Animals Live ter apresentado uma petição contra a ministra da Proteção Ambiental, Idit Silman, o ministro Ben Gvir e o Serviço Prisional de Israel (IPS), alegando maus-tratos desses animais e argumentando que estes representam um perigo para os funcionários da prisão.

Foi, então, na sequência dessa petição que o tribunal decidiu suspendeu o plano até nova ordem. O juiz Avraham Rubin deu ainda a Silman, Ben Gvir e ao Serviço Prisional de Israel até esta quarta-feira para responderem a esta petição.

"As alegações relativas aos danos esperados aos crocodilos merecem uma investigação e justificam a emissão de uma ordem que proíbe a transferência dos crocodilos", justificou o juiz no domingo.

Em julho de 2025, Idit Silman reclassificou o crocodilo do Nilo de espécie protegida para "animal tratado" (que recebe cuidados de saúde) e foi essa reclassificação que abriu caminho para a introdução deste animal nas prisões. Foi então que a Let the Animals Live decidiu lançar uma petição, onde alegou que a ministra ignorou as opiniões de consultores jurídicos e da Autoridade da Natureza e Parques, exigindo que este animal voltasse a ser classificado como uma espécie protegida.

Esta não é, no entanto, a primeira contestação ao projeto de Ben Gvir. Anteriormente, a própria Autoridade da Natureza e Parques já havia argumentado que a reclassificação dos crocodilos feita por Silman não tinha nenhuma base científica e alertou até que a transferência dos animais poderia colocar em risco a segurança dos funcionários da prisão.

Para já, o plano parece ter fracassado. Ainda assim, faz apenas parte de uma série de medidas propostas por Ben Gvir, que segundo o , tinham como objetivo tornar as condições de detenção dos prisioneiros palestinianos ainda mais insuportáveis. Entre as diversas medidas propostas estão as proibições de visitas, privatização de alimentos, negligência médica, tortura e confinamento solitário, escreve o mesmo jornal.

No domingo, surgiram até imagens nas redes sociais, divulgadas pelo Middle East Eye, do ministro de extrema-direita a gozar com uma prisioneira palestiniana que se queixava das péssimas condições da sua detenção. Enquanto a mulher se queixava da comida que "não é boa" e da água que "não é limpa", o ministro classificou a situação como normal. "Isto não é um hotel", disse-lhe.

Segundo dos prisioneiros palestinianos, mais de 9.600 cidadãos estão sob custódia israelita. Entre estes, estão incluídas 84 mulheres e 350 crianças, que estarão a ser submetidas a maus-tratos, nomeadamente negligência médica, espancamentos e violações, escreve o jornal Middle East Eye.  

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