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Irão: Trump reafirma recusa em prolongar cessar-fogo

Lusa 21 de abril de 2026 às 16:18

Na sua rede social, Truth Social, Trump pediu às autoridades iranianas que libertem mulheres que diz estarem condenadas à morte, adicionando que seria um "ótimo começo para as negociações" com a República Islâmica.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, reafirmou esta terça-feira a sua recusa em prolongar o cessar-fogo com o Irão, que expira na quarta-feira, alegando que espera chegar a um acordo de paz.

Donald Trump, o presente dos EUA AP

"Não quero fazer isso. Não temos muito tempo", respondeu em entrevista por telefone à estação norte-americana CNBC, quando questionado sobre a possibilidade de prorrogar a trégua de duas semanas.

O líder norte-americano considerou que o Irão “pode colocar-se numa posição muito forte se chegar a um acordo” com os Estados Unidos e ser “novamente numa nação maravilhosa".

Trump observou que o Irão tem "um povo incrível", mas lamentou que os seus líderes sejam "sedentos de sangue", instando-os a usar "a razão e o bom senso".

Na sua rede social, Truth Social, Trump pediu às autoridades iranianas que libertem mulheres que diz estarem condenadas à morte, adicionando que seria um "ótimo começo para as negociações" com a República Islâmica.

"À liderança iraniana, que em breve negociará com os meus representantes: ficaria muito grato pela libertação destas mulheres. (...) Por favor, não as magoem”, apelou num comentário a um ‘post’ que republicou de um ativista chamado Eyal Yakoby sobre oito supostas condenadas à morte por enforcamento. As condenadas não foram identificadas.

Na entrevista à CNBC, o político republicano disse esperar “um grande acordo” numa nova ronda negocial, apesar de, noutra mensagem na Truth Social, ter escrito, sem pormenores, que “o Irão violou o cessar-fogo muitas vezes".

Espera-se que Washington e Teerão retomem as negociações no Paquistão, mas nenhum dos lados anunciou oficialmente o envio das respetivas delegações para encontrar uma saída para o conflito iniciado pelos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica em 28 de fevereiro.

"Não têm outra escolha senão enviá-los”, afirmou Trump sobre a incerteza em torno da deslocação dos negociadores iranianos a Islamabad.

Na segunda-feira, Donald Trump já tinha afastado a possibilidade de prolongar o cessar-fogo e ameaçado o Irão de que, se não for alcançado um acordo até quarta-feira, “muitas bombas explodirão”.

No mesmo dia, recusou levantar o bloqueio naval que os Estados Unidos impuseram aos portos iranianos, no seguimento do fracasso da primeira ronda negocial, em 11 de abril na capital paquistanesa.

Segundo o líder da Casa Branca, a República Islâmica está a perder todos os dias 500 milhões de dólares (424 milhões de euros, ao câmbio atual) com o bloqueio, “um valor insustentável para eles, mesmo a curto prazo".

O bloqueio naval, que já levou à captura de um navio iraniano, é uma das razões que levaram Teerão a equacionar a sua participação na próxima ronda negocial, ao mesmo tempo que mantém do seu lado o estreito de Ormuz sob ameaça militar, uma situação que se prolonga desde o início do conflito e fez disparar o preço do crude.

No centro das discussões entre os dois países, está o futuro do estreito de Ormuz, o programa nuclear e de enriquecimento de urânio do Irão, bem como a produção de mísseis de longo alcance e apoio a milícias no Médio Oriente e ainda o descongelamento de ativos iranianos.

Até ao início da tarde de hoje, não houve confirmação de Washington sobre a partida do vice-presidente norte-americano, JD Vance, para voltar à mesa das negociações em Islamabad, enquanto, do lado do Irão, a televisão estatal indicou que "nenhuma delegação" tinha ainda partido e se esperava uma "mudança de comportamento" dos Estados Unidos.

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