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"É como se não existisse": espanhol diz que está "abandonado" num centro de dentenção do ICE há 6 meses

Isabel Dantas 20 de abril de 2026 às 09:49

Miguel Barreno López foi detido à porta de casa juntamente com outros três homens naturais da Nicarágua.

Miguel Barreno López é um cidadão espanhol de 39 anos e está fechado no Centro de Detenção do Condado de Kenton, no sul do estado de Kentucky, há seis meses. Numa entrevista telefónica ao jornal El País o homem diz ter sido "abandonado" pelas autoridades de Espanha e só pensa em voltar para casa. "Estou literalmente abandonado, como se não existisse".

Polícia de imigração (ICE) nas ruas dos Estados Unidos AP

Um juiz aprovou a sua saída voluntária dos Estados Unidos em novembro do ano passado, mas ninguém voltou a falar com ele. “É como se tivessem dito 'és o único espanhol aqui? Bem, ficas até decidirmos o contrário'."

Barreno López chegou aos Estados Unidos em novembro de 2017, depois de ter perdido o emprego. Apaixonou-se por uma mulher da Nicarágua, Leticia Centeno, e seguiu-a para a América, onde entrou com um visto de turista, que acabou por expirar. Durante quase dez anos viveu sem documentos e, apesar de não encaixar no perfil racial que os agentes do ICE procuram nos bairros de imigrantes, um dia foi apanhado. "Embora estivesse um pouco receoso com este presidente [Donald Trump], não pensei que seria preso assim, a sair do meu apartamento. Fui apanhado completamente de surpresa."

Tudo aconteceu por volta das 6h30 da manhã do dia 18 de outubro do ano passado. Miguel Barreno López estava a caminho da fábrica onde trabalhava, em Chicago, levando consigo no carro o marido da enteada e dois irmãos deste, todos naturais da Nicarágua. Um veículo do ICE seguiu-os e foram todos presos. Os outros três solicitaram a saída voluntária do país e regressaram à Nicarágua, mas Barreno López, que também disse que queria voltar a Espanha, continua detido.  

Entretanto transferido para o Kentucky, o espanhol mostra-se desesperado e diz ao El País que continua "sem saber de nada". "Eles estão a manter-me aqui para ver quanto tempo aguento, mas o que eu quero é voltar ao meu país agora! Sinto que, por ser espanhol, esqueceram-se de mim. E o consulado deveria ser o primeiro a ajudar-me.”

A mulher, por sua vez, conta ao jornal que o casal já tinha pensado regularizar a situação de Barreno López nos Estados Unidos, mas por ser cidadão espanhol era pouco provável que lhe fosse concedido asilo político. "Disseram-nos que por ser europeu não tinha uma situação como a da Nicarágua ou como a dos venezuelanos. Por isso nunca pedimos”, explica Leticia Centeno, que procurou ajuda junto do Consulado Geral da Espanha em Chicago. "Liguei e disseram-me que não podiam fazer nada. E eu disse: ‘mas porquê? Imagino que, se estão aqui, é para zelar pelo bem-estar dos cidadãos espanhóis’”.

Fontes diplomáticas espanholas nos Estados Unidos relataram ao El País que, em novembro de 2025, Barreno López - que tinha o passaporte caducado - recebeu um salvo-conduto para viajar para Espanha, mas que não entrou em contacto com o consulado desde então. O homem garante que ninguém lhe ofereceu a opção do salvo-conduto. “Não recebi um e-mail ou uma carta em nenhum momento. Não tive nenhum contacto com o consulado, nem eles entraram em contacto comigo, nada disso. Já se passaram seis meses e ninguém moveu um dedo por mim. É muito tempo, meio ano detido ilegalmente aqui. É frustrante.”

A mulher já não sabe o que fazer. "Todos os dias ele pede-me ajuda para sair de lá e eu já nem sei o que dizer, ele está desesperado."

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