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Cuba pede "contribuição" da ONU para deter agressão militar dos Estados Unidos

Lusa 27 de maio de 2026 às 07:58

Chefe da diplomacia cubana, Bruno Rodríguez, esteve reunido com António Guterres.

O chefe da diplomacia cubana, Bruno Rodríguez, solicitou esta terça-feira à ONU a "contribuição para impedir uma agressão militar dos Estados Unidos" contra a ilha, durante a reunião com o secretário-geral da organização, António Guterres.

Presidente de Cuba acusa os EUA de tentarem derrubar o governo e tomar o país Foto AP/Ramon Espinosa

"Solicitei a contribuição da ONU para impedir uma agressão militar dos Estados Unidos contra Cuba, que provocaria um banho de sangue, e para que cessem as ameaças de uso da força", escreveu Rodríguez nas redes sociais.

O ministro das Relações Exteriores cubano, que participou em Nova Iorque numa sessão do Conselho de Segurança da ONU, referiu na mensagem que informou Guterres sobre "a grave situação humanitária que o povo cubano enfrenta, consequência direta do recrudescimento extremo do bloqueio por parte do Governo dos EUA, com medidas adicionais, sanções secundárias e um cerco energético brutal".

"Reiterei, apesar disso e da incoerência da contraparte, a disponibilidade de Cuba para continuar as conversações bilaterais com os EUA sem ingerência nos nossos assuntos internos, sistema político ou eleições", assinalou.

Rodríguez indicou que explicou ao secretário-geral da ONU a "rejeição da acusação infame, fraudulenta e ilegal" apresentada pelo Departamento de Justiça dos EUA contra o ex-presidente cubano Raúl Castro relativamente ao abate, por forças da ilha, de dois aviões de pequeno porte que causou quatro mortos há trinta anos.

O ministro reiterou ainda o "compromisso de Cuba com a paz e a segurança internacionais, o multilateralismo, a cooperação e o respeito pelo direito internacional".

Numa intervenção perante a sessão do Conselho de Segurança, convocada pela China, Rodríguez acusou Washington de estar a levar a cabo um "ato de guerra e de genocídio" com o bloqueio energético que impõe à ilha, mas afirmou estar disposto a dialogar com o Governo norte-americano.

Desde o início do ano, a Administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, tem reforçado a pressão sobre o Governo de Havana, com um bloqueio petrolífero desde há cinco meses e um alargamento das sanções económicas.

Além disso, Trump tem ameaçado "assumir o controlo" do país e levar por diante uma estratégia assumida com a Venezuela, desde a operação de captura e extração para Nova Iorque do ex-presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em Caracas em janeiro.

Estas ações, precisamente aliadas à captura de Maduro e ao controlo por Washington da nova liderança do regime venezuelano - aliado fundamental de Cuba -, agravaram a crise económica e humanitária que assola a ilha, que enfrenta escassez de petróleo e uma grave crise energética.

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