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Como as forças especiais dos EUA resgataram militar perdido nas montanhas do Irão: os pormenores da operação

Isabel Dantas 06 de abril de 2026 às 09:23

Missão de resgate já foi definida como uma das mais desafiadoras e complexas da história das Operações Especiais dos Estados Unidos.

Numa verdadeira corrida contra o tempo, o exército norte-americano conseguiu resgatar o militar que se encontrava perdido no Irão, uma operação complexa que, segundo a imprensa norte-americana, envolveu dezenas de elementos das forças especiais, aviões, helicópteros e até a CIA.

Um F15 em ação nos céus do Médio Oriente EPA

Donald Trump disse domingo que os Estados Unidos tinham conseguido "resgatar o bravo membro/oficial do F15 que se encontrava nas profundezas das montanhas do Irão". Acrescentou que o homem está "seriamente ferido", mas vivo. O Pentagno e a administração Trump respiraram de alívio, pois ninguém queria ver as forças iranianas exibirem publicamente o militar como um troféu.

Dois dos elementos do F15 Strike Eagle atingido na sexta-feira em território iraniano conseguiram ejetar-se; o piloto do caça foi resgatado mas havia um quarto elemento da tripulação, o oficial de armamento, que se encontrava em parte incerta. O Irão fez de tudo para o capturar, chegando mesmo a oferecer uma recompensa a quem o encontrasse. 

Ferido, e com apenas uma arma para se defender, o militar sabia o que fazer, pois tinha recebido treino para este tipo de cenário. Segundo relata o New York Times, ligou o transmissor que transportava consigo e esperou, escondido numa fenda de uma montanha, a 2.100 metros de altitude, fazendo votos para que os iranianos não apanhassem o sinal.

Os pilotos de caças e oficiais de armamento da Força Aérea são equipados com transmissores e dispositivos de comunicação seguros, para coordenar com equipas de resgate no caso de acidentes deste género. São no entanto treinados para não sinalizar a sua localização de forma constante, uma vez que o sinal pode ser detetado pelo inimigo.

Fonte da administração Trump contou que a localização do militar foi "monitorizada durante 24 horas por dia" pelo exército norte-americano, que tentava verificar se o sinal estava a ser emitido de facto pelo militar ou por forças iranianas que pudessem ter apanhado o equipamento. Neste particular os militares contaram com a ajuda da CIA, que utilizou uma tecnologia especial exclusiva da agência para localizar o militar escondido na montanha e confirmar sua identidade. Era importante também perceber se estava sozinho ou cercado por iranianos.

Trump disse que as forças armadas "enviaram dezenas de aeronaves, equipadas com as armas mais letais do mundo, para o resgatar". À medida que as forças especiais dos EUA avançavam na direção do militar, numa operação noturna, foram utilizadas bombas e fogo de armas para manter as tropas iranianas afastadas da sua localização. Enquanto isso, comandos transportados por helicópteros dirigiam-se para a montanha onde o homem se encontrava. 

Mas nem tudo decorreu como planeado, conforme relata a imprensa norte-americana. A ideia era embarcar a equipa de resgate e o militar ferido em dois C130 a partir de uma base remota do Irão, mas o trem de aterragem dianteiro dos aviões ficou preso na areia da pista. Todas as tentativas para liberar as rodas falharam, pelo que foram acionadas outras três aeronaves de substituição.

Em Washington o desenrolar dos acontecimentos era seguido por elementos do Pentagno e da administração Trump com respiração em suspenso. Por fim, os comandos e o militar ferido foram transferidos para três aeronaves de substituição e, após a partida, aviões de guerra bombardearam as duas aeronaves danificadas e quatro helicópteros MH-6 de Operações Especiais que tinham ficado para trás, para não os deixar cair nas mãos dos iranianos.

O general Frank McKenzie, ex-comandante do Comando Central dos EUA, reconheceu à CBS que "de facto perdemos algumas aeronaves nesta missão", mas acrescentou que a perda é aceitável "em qualquer situação".

Um alto funcionário americano descreveu a missão de resgate como uma das mais desafiadoras e complexas da história das Operações Especiais dos Estados Unidos.

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