Canadá membro associado da UE. O que significa este "fortalecer da soberania"?
Von der Leyen propôs uma nova forma de relacionamento entre o bloco europeu e Ottawa e que já tinha sido proposta para a Ucrânia.
A União Europeia (UE) pode estar próxima de ter o seu primeiro membro associado. A proposta partiu de Ursula von der Leyen, esta quarta-feira de manhã, durante o discurso do Estado da União e refere-se ao Canadá. "Iremos passar do CETA [Acordo Comercial Global e Económico UE-Canadá] para uma Aliança para o Futuro, com o objetivo de criar um espaço de prosperidade comum e de segurança económica", anunciou a presidemye da Comissão Europeia perante a presença do primeiro-ministro canadiano, Mark Carney.
Mas o que significa ser membro associado? Os pormenores ainda não são conhecidos, nem se sabe exatamente como vai funcionar o processo de formalização da aliança. Ficou a ideia-chave de von der Leyen: "Em síntese, queremos elevar a relação com o Canadá ao mais alto nível possível."
Do lado canadiano, o gabinete de Carney indicou à Associated Press que este aprofundar de laços com a UE está a ser feito para "fortalecer a nossa soberania".
Do lado europeu ficou a promessa de querer trabalhar com o Canadá para a construção de infraestruturas de inteligência artificial, uma aliança tecnológica, de informação e uma indústria integrada de defesa. Segundo escreveu o Wall Street Journal, este fim de semana, estão em cima da mesa também a redução das barreiras comerciais, a instalação de cabos submarinos entre os dois lados e ainda livre circulação para canadianos, sem necessidade de visto.
Esta será uma ligação sem precedentes para um país que se situa fora da Europa. Uma vez que estes acordos existem - com algumas especificidades - já para países como a Noruega, a Suíça e até para o Reino Unido, no pós-Brexit.
Esta ideia de membro associado já tinha, no entanto, sido lançada, mas em relação a um país europeu - a Ucrânia. Em maio, o chanceler alemão, Friedrich Merz escreveu uma carta aos restantes líderes europeus a argumentar que este estatuto permitia a Kiev ter acesso aos órgãos de decisão europeus, sem direito de voto, enquanto não se resolve o processo de adesão por o país estar em guerra.
Ora, o Canadá não é a Ucrânia. Mas esta aliança pode enfrentar algumas barreiras, já que o próprio CETA, acordado há nove anos e que deverá ser a base desta parceria, ainda não está ratificado por 10 Estados-Membros. E não se sabe se para ser membro associado será necessária a votação unânime dos 27, como acontece com a adesão à UE, o que pode atrasar o processo.
Esta aliança surge numa altura em que se agudizam as relações dos canadianos com os vizinhos norte-americanos. Trump insiste tem taxar os produtos canadianos e tem feito várias referências à possibilidade do país vir a ser o 51º estado dos EUA. Ainda assim, von der Leyen deixou claro que "esta parceria não é contra ninguém, mas para o nosso bem comum". "Acima de tudo, querido Mark [Carney], a Europa e o Canadá acreditam na democracia", afirmou a presidente da Comissão perante uma ovação de pé do Parlamento Europeu, em Estrasburgo.