O laboratório de criação da RTP fez mais uma experiência. Chama-se ‘3000 Depois de Cristo’ e propõe uma crítica social desenhada a Inteligência Artificial. Estreia a 9 de abril.
Saída dos fornos do RTP Lab, o laboratório de criação digital da RTP, a série 3000 Depois de Cristo apresenta dez histórias em dez episódios, todas desenvolvidas através da Inteligência Artificial (IA), passadas no ano 3000 e contadas em formato documental, embora se trate de futurologia. Mas será? Criada por Rui Neto, e com o selo da Toca Produções, a série que tem estreia marcada para 9 de abril promete ser uma crítica social a temas do presente, como a própria inteligência artificial, mas também a morte, a política, a guerra, o fanatismo, a desigualdade, a desintelectualização ou a crise ambiental do plástico.
Primeiro, 2026. De um lado, a resistência e desconfiança na escolha da IA para a criação audiovisual, com o argumento de desvirtuar a arte da criação. Do outro, os criadores que querem descobrir o potencial destas novas formas de fazer. A verdade é que entre o rol dos nomeados aos próximos Prémios Sophia encontra-se um filme feito apenas com recurso a ferramentas Inteligência Artificial: Cartas Telepáticas, de Edgar Pêra, uma obra que estabelece um elo entre a obras de Fernando Pessoa e a de H.P. Lovecraft e que está nomeada na categoria Documentário. Validada pelos pares (os prémios são da Academia Portuguesa de Cinema), a tecnologia parece ter pernas para andar e chega ao RTP Lab, dedicado a criadores emergentes, fornecendo apoio financeiro e mentoria para dar vida às suas ideias.
Neste caso, o autor e realizador é Rui Neto que, em comunicado, define o processo de criação de 3000 Depois de Cristo como “profundamente experimental”. Ao escrever o argumento, explica que procurou “dar vida a observações do quotidiano, a reflexões críticas e a pensamentos sobre o futuro”, adotando a IA como uma “extensão visual” da sua imaginação. “Este projeto permitiu-me explorar novas formas de contar histórias e desafiar os limites do tradicional”, definindo a experiência como uma “investigação criativa sobre autoria, estética e as possibilidades emergentes da criação contemporânea”.
Atrás de Rui Neto esteve a Toca Produções - o selo por detrás de Astro-Mano, outro projeto RTP Lab, criado por Pedro Ferreira. Em 3000 Depois de Cristo, a produtora Rute Moreira destaca a “descoberta de novos caminhos de produção”, sem esquecer a alma do audiovisual. “Preservar todo o processo criativo e artístico potenciando-o com ferramentas IA foi um processo muito bem-sucedido. Manter toda a dimensão criativa e humana, quer nas histórias contadas quer nas vozes que as narraram, expandindo horizontes criativos na construção imagética foi, para além de gratificante, uma grande aprendizagem", diz.
Mas há resistência e nas redes sociais é evidente algum ceticismo nos comentários. Primeiro, porque o trailer foi publicado a 1 de abril, Dia das Mentiras. Mas além da escolha da data para o anúncio de uma produção improvável, pelo menos em Portugal (embora o circuito indie já tenha alguns exemplos), a maior parte das críticas sai mesmo em defesa dos estúdios de animação portugueses, com qualidade reconhecida a nível mundial.
Siga-nos no WhatsApp.