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Jogo "GTA VI" foi finalmente apresentado no meio de uma guerra judicial com hackers

Um vídeo de quase meia hora surgiu na Netflix e depois no YouTube. Entre relações dinâmicas, polícias mais atentos e uma Vice City viva, a Rockstar Games tenta recuperar o controlo da narrativa.

Tiago Neto 28 de agosto de 2026 às 18:14
Um avião sobrevoa as letras de Vice City, cenário de "GTA VI" Rockstar Games

Depois de anos de segredo, adiamentos e imagens roubadas, Grand Theft Auto VI (abreviado para GTA VI) ocupou na quinta-feira, 27, o tempo de um episódio de televisão. A , estúdio responsável pelo jogo, apresentou um vídeo de cerca de 27 minutos, primeiro na Netflix e, seis horas depois, no YouTube e no seu site oficial. Não é uma demonstração tradicional, guiada por um narrador: alterna sequências da história com momentos de jogo e foi inteiramente captada numa PlayStation 5.

Para quem nunca jogou, GTA pode ser resumido como uma combinação entre filme criminal, sátira dos Estados Unidos e enorme recreio digital. Há uma história para seguir, mas também uma cidade aberta - e arredores - onde é possível conduzir, explorar, praticar desporto ou simplesmente observar o absurdo quotidiano. Desta vez, a ação acontece em Vice City, versão ficcional de Miami, integrada no estado de Leonida, inspirado na Flórida.

No centro da narrativa estão Jason Duval, antigo militar, e Lucia Caminos, recentemente saída da prisão. O casal tenta começar de novo através de pequenos crimes, mas um assalto falhado lança a história numa conspiração mais vasta. A comparação com Bonnie e Clyde é inevitável, embora a Rockstar queira que a relação seja mais do que um artifício narrativo; os dois podem permanecer juntos ou separar-se para explorar o mundo, e as escolhas do jogador têm consequências na confiança, na tensão e na maneira como comunicam.

A troca entre protagonistas, para quem está a jogar, tornou-se também mais fluida. Durante uma perseguição, por exemplo, é possível passar de Jason ao volante para Lucia no lugar do passageiro, a disparar, e regressar à condução sem uma interrupção visível. Noutras ocasiões, um deles pode entrar num edifício enquanto o outro permanece no exterior, criando missões observadas de perspetivas diferentes.

Vice City também parece prestar mais atenção ao que acontece. A polícia recolhe descrições da personagem, da roupa e do automóvel usado num crime; mudar de veículo, trocar de casaco ou dividir o casal pode ajudar a despistar as autoridades. O chamado “perfil criminal” reage ao comportamento: conduzir de forma perigosa, atacar pessoas sem necessidade ou provocar destruição deixa uma marca diferente de ações menos violentas.

As interações estendem-se a pormenores mais domésticos. É possível fazer festas a cães, consumir bebidas com efeitos temporários, treinar, comer, descansar ou passar vários dias numa espiral de excessos. A alimentação altera o peso, o exercício modifica a musculatura e a falta de sono ou uma longa perseguição podem deixar sinais no rosto e no corpo. Há desportos praticáveis como basquetebol, mergulho, corridas, canoagem, paraquedismo e ginásios, além de redes sociais fictícias que transformam acidentes, crimes e figuras excêntricas em conteúdo viral.

A ambição de criar um mundo que reage ao jogador ajuda a explicar a dimensão das polémicas recentes. Desde 18 de agosto, uma entidade que usa o nome CyberLeek tem publicado vídeos aparentemente retirados de uma versão funcional do jogo. A identidade e o método de acesso continuam desconhecidos; não é possível afirmar que se trata de um grupo, de uma única pessoa ou sequer que as imagens resultaram diretamente de um ataque informático.

GTA VI: Trailer mostra Vice City, personagens e jogabilidade inédita Rockstar Games

A Rockstar acabou por confirmar a autenticidade do material, classificando a situação como dolorosa para a equipa e sublinhando que não era assim que pretendia apresentar o trabalho de vários anos. CyberLeek descreveu as fugas como um protesto contra práticas consideradas “anticonsumidor”, como pré-reservas digitais, conteúdos pagos e o desaparecimento de jogos em formato físico (CD). A justificação perdeu força quando a mesma entidade começou a promover uma criptomoeda associada ao nome e a oferecer novos vídeos, publicidade e conteúdos personalizados em troca de dinheiro.

A Take-Two, proprietária da Rockstar Games, avançou entretanto para os tribunais norte-americanos, procurando obter junto da Microsoft e da rede social Discord dados que permitam identificar quem carregou e distribuiu os ficheiros. As intimações foram autorizadas, embora o Discord tenha afirmado que ainda não as tinha recebido e que avaliaria o alcance dos pedidos. A amplitude da informação solicitada, que poderá abranger utilizadores que apenas frequentavam os servidores investigados, levantou também dúvidas sobre privacidade.

Não é a primeira vez que GTA VI escapa ao controlo dos criadores. Em 2022, cerca de 90 vídeos de uma versão experimental do jogo foram divulgados por Arion Kurtaj, ligado ao grupo Lapsus$. O caso terminou com a sua detenção por tempo indeterminado num hospital de alta segurança britânico. A atual vaga de leaks é distinta, mas confirma como a antecipação em torno do jogo tornou qualquer imagem inédita extremamente valiosa.

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