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Anthony Hopkins assina pela editora Decca e lança álbum de música clássica aos 88 anos

O ator britânico editou o single "Bracken Road" e prepara "Life Is a Dream", disco com obras compostas ao longo de mais de seis décadas.

Tiago Neto 10 de julho de 2026 às 16:12
Anthony Hopkins na Mostra Internacional de Cinema de Veneza Associated Press

Anthony Hopkins, um dos atores mais reconhecidos da sua geração, abriu um novo capítulo público na música clássica. Aos 88 anos, o intérprete galês assinou contrato com a Decca Classics, como compositor, e lançou esta sexta-feira Bracken Road, primeiro single de Life Is a Dream, álbum de obras orquestrais que será editado a 21 de agosto.

O disco reúne 12 composições originais escritas por Hopkins em diferentes períodos da vida, algumas com mais de 60 anos. Segundo a Life Is a Dream é o projeto musical mais pessoal do ator e inclui peças inspiradas na família, no País de Gales, na infância e em memórias de uma vida inteira. A gravação é interpretada pela Philharmonia Orchestra, dirigida por Gustavo Dudamel, com participações do violoncelista Gregorio Nieto e do pianista Sergio Tiempo.

Esta não é, no entanto, a primeira incursão musical de . O ator começou a tocar piano aos quatro anos, em Port Talbot, no País de Gales; improvisava temas ainda em criança e, na adolescência, já compunha música para peças locais. Em 1996, assinou a música do seu filme August; em 2012, André Rieu apresentou publicamente , valsa escrita por Hopkins décadas antes, e nesse mesmo ano foi editado Composer, álbum com obras suas gravadas pela City of Birmingham Symphony Orchestra.

Anthony Hopkins passa a integrar agora o catálogo da Decca Classics e apresenta um álbum orquestral construído como uma espécie de autobiografia musical. “A música foi o meu primeiro desejo, o meu primeiro sonho”, afirmou o ator em comunicado citado pela e pelo . “Tenho composto música toda a minha vida. Algumas destas peças vivem comigo há décadas e continuo a voltar a elas.”

Bracken Road, o primeiro tema divulgado, faz parte da 1947 Suite para piano solo e orquestra. A peça foi originalmente concebida em 1963, quando Hopkins trabalhava como jovem ator na Liverpool Playhouse e improvisava num piano vertical antes dos ensaios. A composição recupera memórias da infância em Margam, no sul do País de Gales, entre ruas, campos, montes e paisagens próximas da casa de família. Segundo a informação divulgada pela Decca, a peça tem influência das baladas orquestrais de Harry James e Jackie Gleason, com uma orquestração que presta homenagem ao andamento lento da Primeira Sinfonia de Elgar.

O álbum inclui ainda My Fatherland, tributo às origens galesas de Hopkins e ao pai, que era padeiro. A peça, segundo o próprio, foi escrita para honrar as suas “origens humildes”. Outras composições do alinhamento remetem para Port Talbot, para memórias de infância com o avô, para o cinema que o marcou e para pessoas próximas, como Stella Aria, dedicada à mulher, e Tara, dedicada à sobrinha.

A ligação entre música e representação não é, para Hopkins, apenas biográfica. Em entrevista anterior à publicação Gramophone, citada pelo site , o ator disse que a música o ajuda frequentemente a encontrar uma entrada para as personagens. Ao preparar-se para interpretar Richard Nixon, por exemplo, ouvia Aaron Copland; e associava a sua própria melancolia, ligada à juventude no País de Gales, a compositores como Vaughan Williams e Elgar.

Hopkins venceu dois Óscares de Melhor Ator — por O Silêncio dos Inocentes e The Father — e construiu uma carreira de mais de seis décadas no cinema, no teatro e na televisão. Com Life Is a Dream, reorganiza a linguagem enquanto artista.

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