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Crítica de livros: O Sonho de Bruno

"A narrativa apoia-se num compósito de doença, sexo, traição, arrivismo, segredos e acidentes naturais", escreve Eduardo Pitta na sua crítica

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Eduardo Pitta 12 de setembro de 2018 às 07:00

As questões morais foram sempre decisivas na obra de Iris Murdoch (1919-1999), romancista e académica na área da filosofia.O Sonho de Bruno, agora publicado conta a história (narrada na terceira pessoa) de Bruno, um homem de idade avançada deformado pela doença: "Ele sabia que se tornara um monstro." Espera pela morte em casa de Danby, o genro viúvo. Intriga em família, portanto. À beira da morte, tudo gira em torno da essência da vida. Bruno tem duas obsessões: aranhas e selos. Estudou as primeiras, coleccionou os segundos. Faz vista grossa à aversão que suscita, em particular na enfermeira e na empregada doméstica, mas continua a preocupar-se com os impostos (a quem doar a colecção de selos?). A narrativa apoia-se num compósito de doença, sexo, traição, arrivismo, segredos e acidentes naturais.

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