Diane Warren à chegada à cerimónia dos Óscares no último domingoAP
Em quase 40 anos Diane Warren acumulou, por um conjunto de canções que transgrediram barreiras de época, género e formato, 17 nomeações ao Óscar de Melhor Canção Original
– um número impressionante, eclipsado por outro sem precedentes: em todos os anos em que concorreu, saiu derrotada na categoria.
Na 98.ª edição dos Óscares, chegou ao maior número de nomeações sem vitórias, um recorde estabelecido por uma compositora de carreira habituada a atuar na sombra dos seus intérpretes, escrevendo êxitos de topo de tabela a partir de um escritório – "desordenado e sem ar", como descreveu certa vez – onde não deixa entrar ninguém.
Através desse método, escreveu nove canções que lideraram as tabelas da Billboard, agregador americano dos temas mais ouvidos, e 33 outras que integraram o top 10, num total combinado de vendas estimado de 125 milhões de unidades. No seu auge, tinha nas listas da Billboard sete canções em simultâneo, todas interpretadas por artistas diferentes, levando a EMI, a sua editora da altura, a apelidá-la de "a mais importante compositora do mundo".
É, pelo menos, uma forte candidata ao título de mais bem-sucedida compositora de que nunca ouviu falar, já que o seu traço invisível está um pouco por todo o lado na pop das últimas quatro décadas: "Un-Break My Heart", de Toni Braxton, "Too Lost in You", das Sugababes, "I Don't Wanna Live Without Your Love", dos Chicago, "Can't Fight the Moonlight", de LeAnn Rimes ou "In Walked Love", das Exposé. Às suas canções, emprestaram as vozes nomes como Aretha Franklin, Elton John, Mary J. Blige, Whitney Houston, Cher, Céline Dion, Aaliyah, Roberta Flack, Joe Cocker, N'SYNC ou Christina Aguilera.
Só nos últimos anos, no entanto, já sexagenária, tem experimentado a ribalta: o seu álbum de estreia em nome próprio, The Cave Sessions Vol. 1, foi editado em 2021, e a música pela qual esteve nomeada este ano, "Dear Me", é retirada de Diane Warren: Relentless, documentário sobre a sua vida realizado por Bess Kargman.
Nascida em 1956, Warren começou a escrever canções com 11 anos, sendo incentivada pelos pais a dedicar-se à arte com mais seriedade a partir dos 14. O primeiro êxito surgiu em 1983, com o tema "Solitaire", de Laura Branigan, e chamou pela primeira vez a atenção da indústria em 1985, pelo tema "Rhythm of the Night", interpretado pelos DeBarge. Ganharia, mais tarde, fama como autora de "power ballads", baladas amorosas com grandes refrões explosivos.
A primeira nomeação ao Óscar de Melhor Canção Original surgiria em 1987, por "Nothing's Gonna Stop Us Now", interpretada pelos Starship para o filme Manequim, de Michael Gottlieb. Na segunda metade dos anos 90, acumularia um rol de sucessos em filmes, sendo nomeada em 1996, 1997, 1998, 1999 e 2001. Entre as canções eleitas, estavam "How Do I Live", em Con Air: Fortaleza Voadora, "There You'll Be", em Pearl Harbor, e "I Don't Want to Miss a Thing", o único número um nas tabelas dos Aerosmith, no filme Armageddon.
Depois de um interregno de mais de 10 anos dos Óscares, teve outra sequência impressionante de nomeações: entre 2014 e 2025, só não teve uma canção nomeada pela Academia na edição de 2016, concorrendo com títulos interpretados por Rita Ora ("Grateful", em Beyond the Lights), Lady Gaga ("Til It Happens to You", em The Hunting Ground), Laura Pausini ("Io sí", em The Life Ahead) ou Jennifer Hudson ("I'll Fight", em RBG). Em 2022, ano da sua 14ª nomeação, foi reconhecida com o Óscar Honorário, que não entra nas contas dos prémios competitivos.
Na edição deste ano, perdeu para o trio Ejae, Audrey Nuna e Rei Ami, que interpretou "Golden" no fenómeno global de animação KPop Demon Hunters, da Netflix. E ainda que não se saiba se algum dia levará a estatueta, o papel da sua trajetória na história da pop é indiscutível, com ou sem Óscar.