Está nomeado aos Óscares pela prestação em ‘Marty Supreme’, mas o favoritismo está pelas ruas da armargura. Tudo por causa das declarações de Timothée Chalamet sobre um aparente desinteresse geral pela ópera e pelo ballet.
Numa conversa de pouco mais de uma hora entre Timothée Chalamet e Matthew McConaughey, promovida pela Variety e pela CNN, o protagonista de Marty Supreme arrependeu-se quase imediatamente do que lhe saiu pela boca fora: já ninguém quer saber da ópera e do ballet. O coro de indignação tem crescido a cada dia nas redes sociais, e o favoritismo de Chalamet à vitória nos Óscares também tem caído por terra. Por exemplo, na plataforma Gold Derby - uma autoridade nas previsões das principais competições norte-americanas - Chalamet caiu para a segunda posição, sendo ultrapassado por Michael B. Jordan (Pecadores).
Por volta dos 50 minutos de uma conversa ao vivo no Moody College of Communication da Universidade do Texas em Austin, e publicada a 24 de fevereiro, Chalamet diz: “Eu não quero estar a trabalhar em ballet, ou ópera, ou em coisas em que é tipo: ‘Ei, vamos manter isto vivo, mesmo que já ninguém se interesse por isto.’ Com todo o respeito por todas as pessoas do ballet e da ópera por aí. Acabei de perder 14 cêntimos em audiência. Apanhei tiros sem razão alguma.”
E, sim, foram disparados alguns. Aqui está um pequeno apanhado.
"Esta é para ti @@tchalamet…", escreve a companhia nova-iorquina num vídeo partilhado no Instagram que presta homenagem a todas as pessoas envolvidas na construção de uma ópera ou bailado.
A Ópera de Seattle aproveitou as declarações para... oferecer descontos. Com o código promocional TIMOTHEE ofereceu, no passado fim-de-semana, uma poupança de 14% na compra de bilhetes para a ópera Carmen.
A Ópera de Viena foi para a rua fazer entrevistas rápidas: "Tivemos naturalmente de investigar imediatamente essa afirmação e fizemos algumas perguntas! A ópera e o ballet realmente não interessam às pessoas?" Desafiou ainda Chalamet a visitar este famoso palco austríaco.
A diretora da companhia, a mexicana Alondra de la Parra, publicou um vídeo espirituoso onde começa por sair de um caixão: "Olá, Timothée. Estou a sair do caixão, porque estamos mortos. A arte das orquestras sinfónicas está tão morta que temos de sair dos caixões. [...] O nosso problema é, na verdade, a quantidade de pessoas que quer vir aos nossos concertos, porque as vendas quase triplicaram no último ano."
"Caros famosos que acreditam que ninguém se importa com ballet ou ópera... Temos o prazer de informar que o ballet não só está vivo e bem, como também está a prosperar." Num carrossel do Instagram, o ballet britânico frisou que o ballet está bem de saúde, destacando as mais de 200 mil pessoas que assistiram aos espetáculo a companhia, só no ano passado.
"Será que já ninguém quer saber de ópera e ballet? Não temos assim tanta certeza…". A maior sala de ópera em Portugal - atualmente em obras de requalificação - não perdeu a oportunidade de se fazer valer no Tik Tok.
O braço mais teatral do universo RTP - disponível na RTP Play - deu uma sugestão: "Não sejas como o Timothée Chalamet quando a RTP Palco existe".