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Morreu António Lobo Antunes

O escritor tinha 83 anos. Foi médico e soldado em África antes de se revelar como uma das vozes mais originais da literatura nacional da segunda metade do século XX.

Luana Augusto , Diogo Barreto 05 de março de 2026 às 08:50
Antonio Lobo Antunes LUSA / João Relvas

Morreu esta quinta-feira, aos 83 anos, António Lobo Antunes. Um dos mais conceituados escritores portugueses, publicou mais de três dezenas de romances e foi um dos cronistas mais emblemáticos da língua portuguesa (apesar de considerar as crónicas como parte menor do seu trabalho). Foi médico psiquiatra e o mais velho de uma , apesar de o seu sonho inicial ter sido jogar pelo Benfica.

António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 1942. Passou a infância em Benfica, na quinta dos Lobo Antunes. O avô foi militar de cavalaria e o pai um reputado médico. Estudou na Faculdade de Medicina de Lisboa e especializou-se em Psiquiatria, tendo exercido, durante vários anos, a profissão de médico psiquiatra a par do ofício de escritor. 

Em 1970 foi destacado para o serviço militar e, no ano seguinte, embarcou para Angola, para combater na Guerra do Ultramar, tendo regressado em 1973.

Em 1979 publicou os seus primeiros livros: Memória de Elefante e Os Cus de Judas e em 1980 seguiu-se Conhecimento do Inferno - duas obras marcadas pela Guerra Colonial que dividiram opiniões da crítica da época. Estes primeiros livros acabaram por moldar o seu percurso profissional, transformando-o num dos autores contemporâneos de maior sucesso comercial e crítico do panomara português. 

Entre os seus romances mais emblemáticos contam-se os três iniciais, mas também Explicação dos Pássaros (romance em que encontrou a "sua voz"), Fado Alexandrino ou Naus.

Enquanto escritor, dizia escrever romances para combater a depressão que afirmava existir em todas as pessoas.  "A psiquiatria está presente nos meus romances, mas não só da maneira explícita como os críticos habitualmente observam", disse António Lobo Antunes ao jornal Estado de S. Paulo, em 1996.  

Em Portugal, duas vezes distinguido com o Grande Prémio de Romance e Novela da APE, recebeu também o Prémio D. Diniz da Fundação Casa de Mateus ("Exortação aos crocodilos", 1999), o Prémio Fernando Namora ("Boa tarde às coisas aqui em baixo", em 2004), o Prémio Alberto Pimenta de carreira, do Clube Literário do Porto (2008), o Prémio Autores ("Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar", 2010), o Prémio Literário Fundação Inês de Castro ("O tamanho do mundo", 2023).

Em França teve o Prix France Culture de Littérature Étrangère em 1996 por "A morte de Carlos Gardel", e o Prémio de Melhor Livro Estrangeiro, por "Manual dos Inquisidores", em 1997, romance também distinguido em Frankfurt, na Alemanha, como melhor obra traduzida, no mesmo ano.

Na Áustria, onde foi "convidado de honra" do Festival de Música de Salzburgo, recebeu em 2000 o Prémio de Literatura Europeia do Estado Austríaco. Em Espanha, teve os prémios Rosalía de Castro, em 2001, Terence Moix, em 2008, e o da Extremadura para a Criação, em 2009.

Em Itália, recebeu o Prémio Internacional União Latina, em 2003, o Nonino, em 2014, e o Prémio Bottari Lattes Grinzane, em 2018, enquanto na Roménia teve o Prémio Ovídio, em 2003.

(um no fígado, outro no pulmão direito e, mais tarde, no pulmão esquerdo). Mesmo assim, continuava a fumar. Os cigarros de eleição eram Marlboro que acendia uns a seguir aos outros.

O seu último romance foi , editado em 2022. Desde então, um longo silêncio que culminou com a sua morte, esta quinta-feira. 

A República Portuguesa condecorou-o com o Grande Colar da Ordem de Sant'Iago da Espada, em 2004 e, em 2019, com a Ordem da Liberdade. França deu-lhe o grau de "Commandeur" da Ordem das Artes e das Letras, em 2008.

Com Lusa

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