A lista de Património Mundial da UNESCO está mais rica. Entre as novas entradas encontram-se o mítico Monte Olimpo, associado aos deuses da Grécia Antiga, e as praias que serviram de palco ao desembarque do Dia D na II Guerra Mundial.
O comité da UNESCO está por estes dias reunido em Busan, na Coreia do Sul, a adicionar entradas à lista de Património Mundial. São muitas as candidaturas que estão a ver recompensados anos de trabalho no desenvolvimento de projetos e há nomes sonantes na lista.
É o caso do Monte Olimpo, na Grécia, mítico lar dos 12 deuses olímpicos que coroou um esforço de 12 anos para obter o reconhecimento da sua montanha mais alta como um sítio de património cultural e natural. Tem 2918 metros (mais mil que a Serra da Estrela, para comparação) e diz a mitologia local era aqui o trono de Zeus, o rei dos deuses. Além mito, é um local com uma biodiversidade rica que, assim, vê a sua proteção reforçada. “Reafirmamos o nosso compromisso inabalável de proteger o Monte Olimpo em benefício das gerações presentes e futuras”, declarou Georgios Koumoutsakos, delegado da Grécia junto da UNESCO, citado pela Associated Press (AP). “Como a mitologia grega sabiamente nos recorda, é sempre melhor manter boas relações com os deuses.”
Também na Europa, foram inscritas as praias do Desembarque da Normandia - Omaha, Utah, Sword, Gold e Juno - juntamente com Pointe du Hoc, onde mais de 150 mil soldados aliados desembarcaram em 6 de junho de 1944 para libertar a Europa Ocidental da ocupação nazi. Estes locais conservam vestígios históricos, como fortificações alemãs, paisagens marcadas por bombardeamentos, estruturas portuárias construídas pelos Aliados e embarcações afundadas.
Segundo o Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios (ICOMOS), organismo responsável por avaliar as candidaturas ao comité do património, estes elementos são testemunho de um acontecimento “amplamente considerado como tendo possibilitado o regresso da liberdade e anunciado uma paz duradoura no continente europeu”.
Na lista da UNESCO passam também a estar inscritas as seis roças de São Tomé e Príncipe, plantações agrícolas coloniais portuguesas que ilustram o funcionamento desse sistema de produção apoiado na migração e trabalhos forçados, mesmo após a abolição da escravatura, entre o fim do século XIX e meados do século XX. Uma realidade recentemente explorada no premiado filme Banzo (2024), de Margarida Cardoso.