Sábado – Pense por si

Gisèle Pelicot: "Mantive o apelido Pelicot para que os meus netos não se envergonhem de o usar"

A história de que foi vítima horrorizou o mundo. O seu marido de há 50 anos, drogou-a, violou-a e ofereceu-a a outros 80 homens para que abusassem dela enquanto estava inanimada, durante uma década, mais de 200 vezes. Hoje, com a ajuda do livro autobiográfico que escreveu, sente-se recuperada do choque, e tenta dar a mão a outras mulheres que passaram por algo idêntico

Podia simplesmente ter sucumbido ao horror que descobriu em 2020, na esquadra de Mazan, no sul de França, altura em que a sua vida, tal como a conhecia, desabou para nunca mais voltar a ser a mesma. Mas não se deixou abater. Decidiu abrir o julgamento ao mundo e assim pôr a submissão química oculta nas bocas de toda a gente. Saiu vitoriosa do circo mediático, pois todos os 51 arguidos (o seu marido incluído) foram considerados culpados de violação e ela entendida como vítima. Com este livro, escrito com a jornalista francesa Judith Perrignon, que agora se traduziu para português, quer mostrar que é possível voltar a ser feliz, juntos dos três filhos e sete netos, depois de se conhecer o inferno. E até aceitar o amor, nos braços de outro homem, em quem confia plenamente. 

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