Trump terá a sua assinatura nas notas de dólar e quebra uma tradição de 165 anos
Presidente torna-se o primeiro em funções a figurar nas cédulas americanas, numa decisão que divide opiniões e reabre o debate sobre símbolos e poder.
A decisão é histórica. Donald Trump passará a ter a sua assinatura impressa nas notas de dólar, começando pelas de 100 dólares, tornando-se o primeiro presidente em exercício de funções e com um elemento identificativo a figurar na moeda americana. A medida, anunciada pelo Departamento do Tesouro e avançada por vários meios como a BBC e o The New York Times, representa uma rutura com uma tradição que remonta a 1861, quando as cédulas passaram a incluir apenas as assinaturas de responsáveis do Tesouro.
A mudança será visível já a partir do verão de 2026. As primeiras notas de 100 dólares com a assinatura de Trump - ao lado da do secretário do Tesouro, Scott Bessent - deverão ser impressas em junho, entrando gradualmente em circulação nas semanas seguintes. Para acomodar esta alteração, a assinatura do tesoureiro dos Estados Unidos, presença constante durante mais de século e meio, será removida, num gesto que vários analistas descrevem como institucionalmente inédito.
Oficialmente, a decisão inscreve-se nas comemorações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos. O Tesouro justifica a medida como uma forma de assinalar um momento histórico e de refletir aquilo que descreve como um período de “crescimento económico e estabilidade” sob a liderança de Trump. “Não há forma mais poderosa de reconhecer” esse momento do que inscrevê-lo na própria moeda nacional, afirmou o secretário Bessent, citado pelo Guardian.
A medida, contudo, não é consensual. A inclusão da assinatura presidencial em notas em circulação levanta questões sobre a personalização de símbolos estatais e sobre os limites entre celebração institucional e projeção individual de poder. A legislação americana proíbe, por exemplo, a representação de pessoas vivas nos retratos das moedas, o que tem travado outras iniciativas paralelas, como a criação de uma moeda de um dólar com a imagem de Trump. Ainda assim, no caso das assinaturas, a lei concede maior margem de manobra ao Tesouro, permitindo esta alteração sem violação formal das regras existentes.
A decisão insere-se num padrão mais amplo. Nos últimos meses, a administração Trump tem procurado deixar uma marca visível em várias instituições e símbolos públicos, de projetos comemorativos à reconfiguração de espaços culturais e programas federais. A introdução da assinatura nas notas surge, assim, como mais um capítulo de uma estratégia de inscrição política no espaço público, que alguns críticos comparam a práticas de personalização do poder associadas a outros contextos históricos.
Para já, o impacto será sobretudo simbólico, mas não menor. As notas de dólar são, talvez, o objeto cultural mais disseminado e que aludem ao poder americano no mundo. Ao inscrever nestas o nome do presidente em funções, os Estados Unidos alteram não apenas um detalhe gráfico, mas uma tradição de longa duração, abrindo um precedente cujo significado poderá prolongar-se muito para além desta presidência.