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Bruxelas pede que UE armazene gás quando reservas estão abaixo de 30%

Lusa 23 de março de 2026 às 13:08

De acordo com Bruxelas, "a segurança do abastecimento energético da UE mantém-se, nesta fase, protegida devido à dependência limitada de importações desta região".

A Comissão Europeia pediu esta segunda-feira que os países da União Europeia façam uma preparação "coordenada e atempada" para o inverno, dada a perturbação energética no Médio Oriente, quando o armazenamento está abaixo de 30%, sendo Portugal uma exceção.

Bruxelas quer armazenamento de gás na UE, apesar de reservas baixas M-Production/Getty Images/iStockphoto

"Tendo em conta a volatilidade do mercado decorrente do conflito no Médio Oriente, a Comissão Europeia apela aos Estados-membros para iniciarem a época de enchimento de gás e os preparativos de forma coordenada e atempada para o próximo inverno", indica o executivo comunitário em comunicado.

De acordo com Bruxelas, "a segurança do abastecimento energético da UE mantém-se, nesta fase, protegida devido à dependência limitada de importações desta região e aos carregamentos de GNL [gás natural liquefeito] que atravessaram o Estreito de Ormuz antes do conflito".

"No entanto, preparações atempadas e coordenadas são fundamentais para garantir o reabastecimento adequado das reservas de gás para a próxima época de aquecimento, adaptando-se às circunstâncias do mercado e aplicando flexibilidades", acrescenta a instituição.

Dados disponibilizados na internet pela associação que representa operadores de infraestruturas de gás na Europa (Gas Infrastructure Europe) revelam que, no domingo (informação mais recente), as reservas de gás na União Europeia (UE) estão preenchidas a 28,48%.

Portugal - que é um dos 18 países comunitários com armazenamento de gás -- é exceção, já que tem as reservas mais elevadas da UE, numa percentagem de 82,37%.

Ainda assim, o armazenamento subterrâneo em cavidades salinas em Portugal é de pouca dimensão em comparação com o resto da Europa, de cerca de três a quatro terawatt-hora.

Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão e, em resposta, Teerão encerrou o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

Como consequência, o tráfego de petroleiros no estreito caiu drasticamente e aumentou a instabilidade relacionada com a oferta, pressionando os preços.

A escalada do conflito no Médio Oriente, região crucial para o fornecimento global de combustíveis fósseis, está a provocar uma subida acentuada dos preços do petróleo e do gás e a afetar a economia europeia, com impacto direto nas famílias e no poder de compra dos consumidores.

Atualmente, a UE tem em vigor regras para armazenamento de gás que ditam que todos os países têm de atingir 90% de enchimento entre 01 de outubro e 01 de dezembro, antes da estação fria.

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