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Apesar da escalada dos preços, BCE mantém taxa de juro inalterada em 2%

Negócios 30 de abril de 2026 às 14:02

A decisão era esperada pelo mercado, que antecipa agora que o banco central liderado por Christine Lagarde suba os juros em junho.

As taxas de juro na Zona Euro vão manter-se inalteradas. A decisão anunciada esta quinta-feira pelo Banco Central Europeu (BCE) alinha com a expectativa dos mercados financeiros, à medida que o grupo liderado por Christine Lagarde avalia a dimensão do choque energético causado pela guerra no Irão.

BCE, Lagarde e de Guindo D.R.

"O Conselho do Banco Central Europeu (BCE) decidiu hoje manter as três taxas de juro diretoras do BCE inalteradas", anunciou, em comunicado, após o encontro de dois dias de política monetária. A taxa de referência, a aplicável aos depósitos, fica em 2%, um nível em que está desde junho de 2025. Já a taxa de refinanciamento fica em 2,15% e a aplicável à facilidade permanente de cedência de liquidez em 2,4%.

"Embora a informação que tem vindo a ser disponibilizada esteja globalmente em consonância com a anterior avaliação do Conselho do BCE das perspetivas de inflação, os riscos em sentido ascendente para a inflação e em sentido descendente para o crescimento intensificaram-se", alertou a autoridade monetária.

Esta quinta-feira de manhã, o Eurostat deu a conhecer uma estimativa preliminar que indica que a taxa de inflação homóloga na Zona Euro terá acelerado para 3,4% em abril. Tal como tinha acontecido no mês de março (o primeiro de conflito no Médio Oriente), o aumento dos preços dos combustíveis explica esta subida. No entanto, os analistas têm indicado que o BCE estará à espera de avaliar a dimensão do choque, sendo apontada a possibilidade de subida de juros em junho. 

"Quanto mais tempo durar a guerra e os preços dos produtos energéticos se mantiverem elevados, mais forte será o provável impacto na inflação em geral e na economia", adverte ainda o BCE, garantindo que "permanece bem posicionado para navegar a atual incerteza" já que a Zona Euro entrou neste período de subida acentuada dos preços dos produtos energéticos com a inflação em torno do objetivo de 2% e "a economia revelou resiliência nos últimos trimestres".

O BCE considera que as expectativas de inflação a mais longo prazo continuam bem ancoradas, não obstante o aumento significativo das expectativas de inflação nos horizontes mais curtos. "O Conselho do BCE acompanhará de perto a situação e seguirá uma abordagem dependente dos dados e reunião a reunião na definição da orientação apropriada da política monetária", acrescenta.

(Notícia atualizada às 13:25 horas)

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