Leipzig, o clube mais odiado da Alemanha

Tiago Carrasco em Leipzig, Alemanha 12 de fevereiro de 2017

Já lhes estragaram o relvado e bloquearam o acesso ao estádio. Mas o Leipzig, onde a Red Bull investiu 300 milhões, continua a escalada. E lidera a Bundesliga com o Bayern de Munique

Assim que a bola começa a rolar no estádio do Ingolstadt, a claque da casa exibe uma tarja contra os visitantes de Leipzig: "Aqui bebe-se cerveja, não mijo de boi." Seguem-se outras, em que os adversários são chamados de "porcos", "batoteiros" e "assassinos do futebol". E sempre que o rival cria uma oportunidade de golo, as bancadas insurgem-se: "Nein Red Bull" (não à Red Bull).

Os atletas do RB Leipzig não parecem perturbados. Afinal, já passaram por pior: no ano passado, a claque do Dínamo de Dresden atirou-lhes uma cabeça de touro para o relvado e os hooligans do Karlsruhe invadiram e vandalizaram o átrio do hotel da equipa. Isso não os impediu de subirem quatro vezes de divisão nos últimos sete anos e de estarem ali, naquela pequena cidade da Baviera, a defender a invencibilidade e a liderança na Bundesliga, a I Liga alemã.

O alvo da hostilidade? Basta olhar para as camisolas do Leipzig e para as garrafinhas pousadas junto ao banco de suplentes – todas elas têm dois touros vermelhos, o símbolo da Red Bull. Mas é preciso contar a história toda para perceber a razão pela qual a Alemanha detesta a presença da bebida energética no futebol. Em 2009, a empresa austríaca, que vende por ano mais de 5 mil milhões de latas da bebida, decidiu que para aparecer na Liga dos Campeões não podia continuar a apostar no Red Bull Salzburg, do campeonato austríaco, e investiu na compra do SSV Markranstädt, clube da zona de Leipzig que andava na quinta divisão alemã.

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