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Infantino desiste de projeto para abrir capital da FIFA a investidores privados

Renata Lima Lobo 01 de agosto de 2026 às 09:46

A FIFA anunciou que não irá avançar com a FIFA Forward Enterprise, depois da forte oposição ao projeto por parte de várias entidades do futebol mundial.

O plano de Gianni Infantino saiu furado. O presidente da FIFA pretendia permitir a entrada de investidores privados nas suas competições oficiais, incluindo o Mundial, prometendo aumentar para mais de 10 mil milhões de dólares o financiamento destinado ao desenvolvimento do futebol. Para isso, seria criada uma nova estrutura comercial denominada FIFA Forward Enterprise. A proposta, porém, reuniu poucos apoios e acabou por ser abandonada.

FILE - FIFA President Gianni Infantino is silhouetted as he walks past the World Cup trophy after addressing the 76th DARRYL DYCK

"Depois de ouvir atentamente todas as opiniões, tornou-se claro que o projeto criou divisões de tal natureza que, independentemente do nível de apoio de que pudesse beneficiar, já não serve o objetivo para o qual foi inicialmente concebido", lê-se num divulgado este sábado pela FIFA e atribuído a Infantino.

"Daqui para a frente, a minha intenção é reunir novamente todas as partes interessadas nos próximos dias e semanas, num espírito de interesse comum pelo nosso desporto, com o objetivo de continuar a desenvolver o futebol em todo o mundo, particularmente nos países que mais necessitam do nosso apoio", acrescentou o presidente da FIFA.

Segundo o plano de Infantino, a FIFA Forward Enterprise teria 20% do seu capital detido por investidores privados. Entre eles estaria uma empresa de investimento sediada em Nova Iorque e criada por Joshua Kushner, irmão mais novo de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

"A alma e a governação do futebol não são ativos para negociar, especialmente sem qualquer transparência sobre quem beneficia financeiramente. Nenhum de nós é proprietário do futebol. Não pertence à FIFA para o vender", afirmou a UEFA quando tomou conhecimento do projeto de Infantino.

Também a Confederação da América do Norte, Central e Caraíbas (Concacaf) se mostrou "profundamente preocupada com este processo", manifestando desilusão pelo facto de as propostas terem sido elaboradas e divulgadas antes de qualquer discussão com as partes interessadas. A Confederação Asiática de Futebol (AFC) juntou-se igualmente às críticas, deixando o plano sem o apoio das principais confederações do futebol mundial e contribuindo para a decisão de Infantino de o retirar.

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