Populações sem acesso a serviços bancários recebem o Multibanco + Perto: Como funciona?
Mais de 1.200 freguesias não têm acesso a caixas multibanco nem pontos de atendimento bancário. Projeto piloto, lançado em 30 freguesias, quer colmatar o problema.
Arrancou esta segunda-feira, dia 6, o projeto piloto Multibanco + Perto, destinado a fornecer serviços bancários essenciais aos residentes de zonas sem pontos de atendimento próximos. Mais de 1.200 freguesias não dispõem de caixas multibanco nem bancos a menos de 5, 10 ou 15 quilómetros. A freguesia de Tó, no concelho de Mogadouro, distrito de Bragança, foi a primeira a receber a novidade, conta o Negócios.
O projeto resulta da colaboração entre o Ministério da Economia e da Coesão Territorial, o Banco de Portugal, a SIBS e a Associação Nacional de Freguesias. A primeira fase abrangerá 30 freguesias, que servirão como objeto de avaliação para uma possível expansão. O Ministério da Economia e Coesão Territorial espera que esta aposta abranja cerca de 700 mil pessoas.
O que é o Multibanco + Perto?
O projeto consiste na disponibilização de Terminais de Pagamento Automáticos Digitais (SmartPOS) para populações que vivem longe de pontos de atendimento bancário. O terminal tem funções alargadas, de modo a fornecer a maioria dos serviços de uma caixa multibanco.
Como funciona?
Os terminais vão ficar à responsabilidade das juntas de freguesia e são elas que farão a gestão do serviço. A população pode dirigir-se à junta para usar o terminal ou, em caso de mobilidade reduzida, funcionários da junta de freguesia podem levar o equipamento ao domicílio dos residentes.
Por agora, o serviço estará disponível apenas durante o horário de funcionamento da junta de freguesia. Contudo, o ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, admitiu que o horário possa ser alargado “para que as pessoas tenham acesso a este serviço durante mais horas”, avançou durante a apresentação do projeto.
Que serviços estão disponíveis?
O terminal abrange cerca de 90% dos serviços disponíveis numa caixa multibanco: levantamentos de dinheiro, pagamentos de serviços (como água, luz e telecomunicações), pagamentos ao Estado, carregamento de telemóveis, carregamento de títulos de transporte e consulta de saldo e movimentos. Para já, os depósitos não estão incluídos.
Como funcionam os levantamentos de dinheiro?
Tratando-se de um terminal de pagamento, o dinheiro não sai do equipamento como acontece numa caixa multibanco. Portanto, funciona como um pagamento: a operação realizada no terminal será uma transferência da conta do residente para a junta de freguesia. Depois, é a junta que disponibiliza o dinheiro em mão.
Cabe à junta de freguesia a responsabilidade de assegurar a liquidez necessária para realizar os levantamentos.
Como solicitar que o terminal venha a casa?
Contactadas pela SÁBADO, as juntas de freguesia em que o projeto está ser lançado ainda não sabem como se procederá o serviço ao domicílio.
Como evitar burlas?
O serviço ao domicílio pode dar origem a tentativas de burla, através de falsos terminais. É importante relembrar que o serviço é fornecido pelas juntas de freguesia e deve ser operado por funcionários da entidade.
Porquê instalar um terminal e não uma caixa automática?
“Há as tradicionais caixas de multibanco que são mais complexas, mais caras e mais exigentes e há estes serviços que são uma adaptação que tem tudo, com a exceção de emitir o dinheiro, que vai ficar nas mãos [cofres] das juntas de freguesia para o poder dar”, explicou Castro Almeida.
Por agora, os custos do projeto são assumidos pela SIBS.
Que freguesias estão incluídas?
Depois de Tó, o projeto vai ser disponibilizado durante esta semana nas freguesias de São Miguel do Pinheiro, São Pedro de Solis e São Sebastião dos Carros, Espírito Santo e Santana de Cambas, em Mértola, distrito de Beja, seguindo-se, posteriormente, Coriscada, em Mêda, distrito da Guarda.
No total, a fase piloto vai abranger 30 freguesias, mas ainda não é conhecida a lista completa. Se o projeto tiver sucesso, será avaliada uma expansão a mais territórios, já que, segundo o Banco de Portugal, há mais de 1.200 freguesias (cerca de 41% do país) sem acesso a este tipo de serviços a menos de 5, 10 ou 15 quilómetros. Bragança é o distrito com menor oferta, uma vez que apenas 25 das 236 freguesias dispõe de serviços bancários nas proximidades.
Com Lusa e Diogo Barreto