Re_source: 12 projetos-piloto com potencial para transformar a gestão de resíduos de embalagens
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201
candidaturas provenientes de 54 países, incluindo Portugal, reforça a dimensão internacional
do programa de co-inovação da SPV e da Beta-i
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330 mil
euros atribuídos pela SPV para cofinanciamento de 11 das 12 soluções finalistas
que avançam agora para piloto
A Sociedade Ponto Verde (SPV) e a
consultora de inovação colaborativa Beta-i juntaram, na 4.ª edição do Re_source,
148 startups internacionais e nacionais, e 20 parceiros da cadeia de valor das
embalagens e resíduos de embalagens, para apoiar na transformação deste setor,
através de soluções que sejam ambiciosas, transversais e replicáveis, e
promovam impacto mensurável.
Das 201 candidaturas recebidas, e após onze
meses de trabalho, foram identificadas soluções que avançam agora para a fase
de piloto, recebendo 330 mil euros de cofinanciamento por parte da SPV para a
sua implementação. O seu desenvolvimento será feito em colaboração com 10
empresas e entidades que operam em várias fases da cadeia de valor e apresentam
capacidade de agir e testar os projetos-piloto no terreno.
Estas soluções vêm dar respostas
concretas às três missões estratégicas que foram definidas para esta edição do Re_source:
reciclar 75% do vidro em Portugal até 2030, com foco no canal HORECA; reduzir
em 5% a produção de resíduos de embalagens do fluxo urbano per capita até 2030
(vs. 2018); e digitalizar e integrar os fluxos de informação do Sistema
Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens (SIGRE) até 2034.
Globalmente, destacam-se soluções inovadoras
que combinam tecnologia e comportamento do consumidor, com propostas que recorrem
à inteligência artificial e visão computacional para tornar a triagem de
resíduos mais eficiente e melhorar a gestão operacional, ou que estão assentes
em sistemas digitais e mecanismos de incentivo, como smartbins e
aplicações, para promover a participação dos cidadãos e aumentar a reciclagem
de vidro.
Reduzir o desperdício e promover modelos
de consumo mais sustentáveis estão igualmente em destaque, com soluções que
incluem embalagens reutilizáveis, sistemas de refill e estratégias de nudging
comportamental para incentivar hábitos mais responsáveis em centros comerciais
e espaços urbanos. A inovação tecnológica assume um papel central, combinando
automação, análise de dados e plataformas digitais para desenvolver soluções
práticas, eficientes e com impacto direto na cadeia de valor da gestão de
resíduos de embalagens.
A 4.ª edição do Re_source, que finalizou
com o Re_source Day, demonstra o seu alcance internacional e um crescimento
contínuo, nomeadamente em relação à edição anterior, ao registar 201
candidaturas provenientes de 54 países, superando as 182 candidaturas da edição
anterior. No total, participaram 134 startups internacionais e 14 nacionais,
evidenciando a crescente atratividade
global do programa e a sua capacidade de transformar inovação em soluções
concretas para o setor.
O programa, nesta edição, contou com o
apoio de parceiros institucionais, nomeadamente a Agência Portuguesa do
Ambiente (APA), Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) e
Direção-Geral da Economia (DGE), assim como o apoio dos Guardiões de Missões,
Turismo de Portugal, Centro Tecnológico da Indústria de Moldes, Ferramentas
Especiais e Plásticos (CENTIMFE) e GS1 Portugal, reforçando a importância da
colaboração e o alinhamento entre inovação, políticas públicas e prioridades
estratégicas nacionais. A 4.ª edição do Re_source envolveu, ainda, 14 parceiros
de piloto, nomeadamente Applus+, Casa Mendes Gonçalves, DS Smith, DIG-IN,
Micronipol, Resíduos do Nordeste, Via Verde, Colibri, Colep Packaging, EGF,
VALNOR, RESINORTE, Seda Ibérica e Sonae Sierra, que vão agora apoiar a
implementação das 12 soluções.
“Esta edição do Re_source reafirmou a
inovação colaborativa como um dos motores para acelerar a transformação que é
tão necessária no setor dos resíduos em Portugal, nomeadamente no que diz
respeito à cadeia de valor das embalagens. Na prática abrimos espaço a novas
soluções e novas parcerias, o que cria condições para que haja uma mudança
real. É fundamental, para o futuro do setor, que os projetos piloto sejam
testados no terreno, pois permite-nos recolher dados concretos, avaliar se
estão preparados para ser replicados e ganharem escala, levando a mais e melhor
reciclagem de embalagens. Estamos muito empenhados em promover a circularidade
em Portugal e contribuir para o cumprimento das metas ambientais que estão
estabelecidas para este setor, e acreditamos que este é o caminho”, refere Ana
Trigo Morais, CEO da Sociedade Ponto Verde.
“Ao longo destas quatro edições do
Re_source, temos assistido a uma evolução muito clara na capacidade de
transformar colaboração em implementação concreta. O que começou como um espaço
de ligação entre parceiros e inovadores é hoje um programa orientado para
execução, onde os pilotos são testados no terreno, integrados em operações
reais e preparados para escalar ao longo da cadeia de valor. Sabemos que os
desafios da economia circular são sistémicos e exigem mais do que inovação
incremental, exigem coordenação entre empresas, inovadores, entidades públicas
e reguladores, mas acima de tudo exigem ação”, refere Diogo Teixeira, CEO da
Beta-i.
“É nesse ponto que o Re_source se
afirma: como um catalisador de transformação, onde diferentes stakeholders
trabalham lado a lado para implementar soluções, gerar aprendizagem prática e
acelerar mudanças estruturais no setor da gestão de resíduos de embalagens. O
foco está hoje na replicabilidade e na escalabilidade, e é nessa capacidade de
passar da experimentação à transformação que consolida a confiança do
ecossistema e posiciona o Re_source como um motor real de mudança na cadeia de
valor”, acrescenta CEO da Beta-i.
Desde o seu lançamento, em 2021, e
contando com esta edição, o Re_source já registou um investimento superior a 1
milhão e 700 mil euros, distribuído por 35 pilotos, com 55 parceiros envolvidos
e mais de 600 candidaturas.
O programa Re_source demonstra como a inovação
colaborativa é essencial para enfrentar os desafios do setor da reciclagem de
embalagens, desenvolvendo soluções concretas que aumentem a eficácia do
sistema. A necessidade desta aposta tornou-se ainda mais evidente, pois em 2025
Portugal entrou em incumprimento das metas europeias de reciclagem de
embalagens, ano em que deveria ter garantido a recolha seletiva de 65% de todas
as embalagens colocadas no mercado, apesar de um investimento recorde de 212
milhões de euros (+90 milhões face a 2024). Estes resultados confirmam que o
modelo atual não é suficiente, reforçando a importância de continuar a investir
em soluções inovadoras que contribuam para o alcance das metas de reciclagem de
embalagens que estão em vigor em Portugal.
A Beta-i é uma consultora de inovação colaborativa com alcance
global, composta por uma equipa de especialistas com uma metodologia própria na
conceção e gestão de projetos desde a estratégia até aos testes-piloto. Nascida
em Lisboa em 2009 como uma resposta disruptiva à crise financeira da altura, em
mais de 12 anos a empresa ajudou a transformar Portugal num dos polos de
inovação mais vibrantes da Europa. Cresceu para se tornar numa empresa global
baseada em Lisboa, São Paulo, Bruxelas e Boston, aplicando a sua experiência em
inovação em mais de 20 países e trabalhando com marcas internacionais para
criar novas soluções para um mundo em rápida mudança. http://beta-i.com/.
Sobre a Sociedade Ponto Verde
Desde 1996 que a Sociedade Ponto Verde (SPV) tem como missão
contribuir para a promoção da economia circular através do Sistema Integrado de
Gestão de Resíduos de Embalagens (SIGRE), assente num forte compromisso com a
inovação e I&D, a literacia ambiental e a cidadania ativa. Entidade privada
sem fins lucrativos e líder de mercado, é responsável pelo encaminhamento para
reciclagem e valorização dos resíduos de embalagens resultantes do grande
consumo. Atualmente, serve cerca de 8 000 clientes, apoiando-os na conceção de
embalagens mais circulares e propondo novas soluções para melhorar os processos
de recolha, separação e tratamento.
Para reforçar a comunicação e sensibilização, em 2025, foi
criada a Ponto Verde, uma nova marca com uma imagem renovada, que visa estar
mais próxima dos cidadãos, criando um movimento agregador que une gerações de
norte a sul do País e ilhas numa jornada coletiva pela reciclagem de embalagens
e pela sustentabilidade.
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