"Os assintomáticos podem vir a ter consequências a nível neurológico"

'Assintomáticos podem vir a ter consequências a nível neurológico'
Lucília Galha 01 de julho de 2020

Ainda é apenas uma hipótese, mas deve ser levada a sério, alerta o consultor da DGS, Filipe Froes. Razão: há vários microrganismos que provocam lesões e sequelas mais tardias, como a varicela, por exemplo.

Retenha esta ideia: não se deve desvalorizar os assintomáticos. Porquê? Por causa da falta de conhecimento que ainda existe em relação à Covid-19. "Enquanto que na gripe já temos centenas de anos de estudo, nesta doença só temos seis meses", chama a atenção o pneumologista Filipe Froes.

À SÁBADO, o consultor da DGS explica também porque é que disse na SIC que os assintomáticos além de transmitirem a doença, também podem ficar com sequelas. Afinal, a infeção está presente – mesmo que não se manifeste.

Disse que os assintomáticos também podem vir a ter sequelas. Quer explicar-me porquê?
Neste momento, temos doentes assintomáticos que já sabemos que transmitem a doença, mas que, provavelmente, não têm capacidade de desencadear uma resposta inflamatória que lhes dê sintomas. Isso não invalida que eles não possam eventualmente ter sequelas porque, mesmo que a infeção não se manifeste, está lá. Imagine que fica num estado latente e que, daqui a cinco ou 10 anos, estas pessoas começam a ter esclerose múltipla? Não vão todos ter, mas imaginemos que em 100 assintomáticos, há cinco com esclerose múltipla e, em 100 pessoas sem infeção, há só dois. Temos de perceber que não há conhecimento que permita excluir que estas pessoas não possam ter, daqui a alguns anos, algum acréscimo de patologia relacionada com esta infeção inicial.

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