Facebook: Passámos hora e meia a ver directos

Tânia Pereirinha 22 de abril de 2018

Passámos hora e meia a ver vídeos em directo na rede social. Foi uma volta ao mundo... peculiar.

Quem disser que nunca lhe apareceu na cronologia do Facebook um directo de um amigo, seja no Estádio da Luz a tentar focar o voo da águia Vitória ou a partir da própria cozinha, a dar a primeira papa ao Luisinho, é porque mente. Meio mundo anda obcecado com a possibilidade de partilhar aquilo que faz, ouve ou vê – agora em vídeo e em tempo real. Pode ser chato: a rede social já tem 1,79 mil milhões de utilizadores, metade disso é... imenso.

O que vale é que há boas notícias para quem nunca "esteve em directo" nem tenciona estar: já não precisa de se contentar com o que os seus "amigos" lhe apresentam. Na página inicial do facebook, na opção "Explorar", clique em "Vídeo em Directo". Já está? É o mundo isso que tem à frente. E não há Casa dos Segredos nem Jersey Shore que lhe faça frente.

Essas bolas azuis são as pessoas (ou instituições ou meios de comunicação) a emitir neste momento. Quanto maiores forem, mais gente está a assistir à transmissão – curiosamente a regra que confirmei em todo o globo de que os mais vistos são os vídeos de instituições ou canais de media, não se verifica no Brasil, onde os maiores pontos são sempre de raparigas meio despidas que focam decote, pernas ou lábios enquanto respondem a mensagens: "Tira o short, amor". Vi uma, no Recife, a dançar o Candy Shop ("I’ll let you lick the lollypop"), dos 50 Cent. Em Criciúma, a sul de Florianopólis, tive o privilégio de ser uma das 218 pessoas a contemplar outra, bem voluptuosa, a rebolar na cama. Não fui eu mas um cavalheiro peruano quem chamou a actividade pelo nome, legitimando a "pega" em título: "Vem para o meu país, vais ganhar ‘un monton de dinero’".

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