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Dia Mundial da Fertilidade. 300 mil casais enfrentam dificuldades em Portugal

Cada vez mais mulheres recorrem ao congelamento de óvulos numa tentativa de preservar a fertilidade. "A idade continua a ser um dos fatores mais importantes", explica o médico Miguel Raimundo, que acaba de lançar o livro “Viva a Vida com Fertilidade".

O Dia Mundial da Fertilidade assinala-se esta quinta-feira, 4 de junho, e visa sensibilizar para a prevenção e reduzir o isolamento das pessoas que atravessam dificuldades em engravidar. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), um em cada seis adultos em idade reprodutiva enfrenta problemas de infertilidade, e em Portugal estima-se que mais de 300 mil casais se encontrem nesta situação.

AP Photo/Teresa Crawford, File

Miguel Raimundo, médico especialista em ginecologia e obstetrícia e especialista em Medicina da Reprodução, falou com a SÁBADO sobre as principais causas para a infertilidade, o impacto da idade e os tratamentos disponíveis. "Temos a dificuldade primária e a dificuldade secundária. A primária são os casais que nunca tiveram filhos e que não conseguem ter o primeiro filho. A secundária são aqueles casais que tiveram pelo menos um filho e que não conseguem ter o segundo ou o terceiro", começa por explicar. Além disso, o médico refere que uma principais causas de infertilidade está relacionada com a idade: "Continua a ser um dos fatores mais importantes. Hoje há muitos casais a ter o primeiro filho aos 30 anos, e o segundo já perto dos 40 anos."

Ainda assim, há pequenas mudanças estilo de vida que podem ajudar na prevenção: "Hoje há um envelhecimento precoce na qualidade espermática, e as mulheres que têm a hormona AMH (Hormona Anti-Mülleriana), fundamental para avaliar a reserva ovárica, também têm mais dificuldade em engravidar". É por essa razão que indicadores como "os níveis de stress, alimentação e horas de sono são muito relevantes" e também devem ser avaliados. Miguel Raimundo relembra que também existem certas doenças, como a endometriose [doença inflamatória crónica em que células semelhantes ao endométrio crescem fora dele], que prejudicam a qualidade dos óvulos: "Não significa que todas as mulheres com esta doença tenham infertilidade, mas é preciso estar atenta e talvez praticar uma dieta inflamatória, ajustada a cada caso".

Para os casais que desejam engravidar mais tarde, o médico recomenda o congelamento de óvulos. "A preservação da fertilidade [que consiste no congelamentos dos óvulos] subiu quase 3 vezes nos últimos três anos, o que revela que as mulheres estão mais sensíveis a esta tema". A técnica aumenta a taxa de sucesso, mas não é uma garantia. Ainda assim, "pode dar algum conforto no futuro".

Miguel Raimundo, médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia, acaba de lançar o livro “Viva a Vida com Fertilidade”
Miguel Raimundo, médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia, acaba de lançar o livro “Viva a Vida com Fertilidade” DR

O médico especialista destaca ainda a importância da literacia e lamenta que a fertilidade não faça parte dos programas escolares. "Somos ensinados na escola a como não engravidar, mas não somos educados no que toca à fertilidade e ainda há mulheres que não conhecem o próprio corpo."

Os tratamentos 

Em Portugal, os tratamentos dividem-se em dois grandes grupos: de primeira linha e de segunda linha. "Quando falamos de primeira linha falamos de inseminação e coito programado, e os tratamentos de segunda linha são a fertilização in vitro [união entre um óvulo e um espermatozoide feita em laboratório] e a intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI), quando existe fator masculino. Os tratamentos podem ser feitos tanto em casais heterossexuas quanto em casais de mulheres homossexuais", afirma Miguel Raimundo. Já as taxas de sucesso dos tratamentos, a nível global, rondam os 30% a 40%. 

Importa também ressalvar que os tratamentos de fertilidade podem ser dispendiosos e em alguns casos ultrapassam os milhares de euros. Portugal dispõe de comparticipação estatal através do Serviço Nacional de Saúde (SNS), sendo necessário cumprir critérios de elegibilidade. Para Miguel Raimundo, o apoio psicológico durante o processo "é muito relevante".

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