Sábado – Pense por si

PASSATEMPOS

Descubra os novos desafios da SÁBADO

JOGAR ›

Ciclorfina: a droga 10 vezes mais letal do que o fentanil que já chegou à Europa

Morte de jovem de 16 anos levou as autoridades norte-americanas a emitir um alerta para uma nova droga sintética que pode ser até 10 vezes mais potente do que o fentanil. Chama-se ciclorfina, nunca foi aprovada para uso médico devido à sua perigosidade e já foi detetada na Europa.

O primeiro alerta das autoridades norte-americanas surgiu após uma autópsia realizada a um adolescente de 16 anos revelar a presença de ciclorfina no organismo. Esta droga sintética pode ser até 10 vezes mais letal do que o fentanil e foi criada na década de 60 com o bjetivo de atuar como analgésico. No entanto, por ser extremamnete perigosa nunca foi aprovada para uso médico. Apesar disso, a receita acabou por ser publicada em revistas científicas, circulando atualmente na internet, segundo explicou o psiquiatra Keith Humphreys, da Universidade de Stanford, ao . Mas afinal, que droga é esta? 

Oxicodona-acetaminofeno
Oxicodona-acetaminofeno Foto AP/Patrick Sison

O caso

Tudo aconteceu na manhã de 7 de abril em São Francisco, nos Estados Unidos. A mãe Christina Lacourte dirigiu-se ao quarto do filho para o acordar e levá-lo à escola, mas ao tentar entrar deparou-se com a porta trancada. Sem conseguir entrar, deicidiu recorrer à ajuda de um cabide para a abrir. 

O cenário que encontrou do outro lado era devastador. Dante Paul Lacourte estava deitado na cama com as veias cada vez mais visíveis, enquanto um líquido escuro escorria do nariz e da boca, formando uma poça nos lençóis.

A primeira reação de Christina foi administrar duas doses de Narcan (substância de efeito rápido que anula efeitos da overdose), que guardava na gaveta da cozinha justamente para aquele momento que ela já temia. Quando regressou, já era tarde demais. O jovem acabaria por ser retirado na habitação num saco de cadáveres.

Dante Paul Lacourte, de 16 anos, sofria de perturbação de hiperatividade e défice de atenção (PHDA), ansiedade e depressão, segundo relatou a mãe. Além disso, enfrentava ainda pressões escolares e problemas emocionais. "Era apenas um rapaz a tentar sentir-se melhor", recordou Leo Wingate, um amigo do adolescente.

O jovem comprava drogas na rua e tanto a mãe como o irmão, Marco, já o haviam alertado para os riscos do consumos destas substâncias. Na altura, Christina acreditou até que a morte do filho estivesse ligada ao fentanil. No entanto, os resultados da autópsia viriam a revelar uma causa diferente: Dante morreu devido ao consumo de ciclorfina.

Essa foi a primeira vez que aquela droga foi detetada em São Francisco. O caso gerou tal preocupação que, 17 dias depois, as autoridades de saúde emitiram um alerta para a circulação de uma nova droga sintética na cidade.

Como surgiu a ciclorfina?

A ciclorfina foi criada num laboratório de investigação belga nos anos 1960, durante estudos que procuravam criar analgésicos extremamente potentes. Contudo, por ser realmente muito forte e periogosa, nunca recebeu aprovação para uso médico.

Ainda assim, a fórmula acabou por ser publicada em revistas científicas, circulando atualmente na internet, segundo o psiquiatra Keith Humphreys, da Universidade de Stanford, o que permite a sua reprodução em laboratórios clandestinos.

O que é a ciclorfina?

Segundo o The New York Times, que ouviu vários especialistas entendidos na matéria, a ciclorfina pode ser até 10 vezes mais potente do que o fentanil, o que faz com que aumente significativamente significativamente o risco de overdose. 

Uma das principais preocupações é a facilidade com que a substância pode ser produzida, isto porque pode ser produzida por químicos amadores em diferentes locais, tornando-se mais difícil de detetar e rastrear pelas autoridades.

Além disso, a reversão dos seus efeitos pode exigir várias doses de Narcan. Em alguns casos, mesmo uma intervenção rápida pode não ser suficiente para evitar a morte, como aconteceu com Dante.

A ciclorfina já tinha sido identificada na Europa e na costa leste dos Estados Unidos, nos últimos anos, segundo o The New York Times, mas há sinais que a substância esteja agora a expandir-se rapidamente para outras regiões, incluindo a costa do Pacífico.

A preocupação surge num momento em que São Francisco já registou mais de 3 mil mortes por overdose desde 2020, a maioria ligada ao consumo de fentanil. Segundo o jornal norte-americano, o número de vítimas ultrapassa o total de mortes provocadas pela Covid-19, homicídios e acidentes de viação no mesmo período.

Artigos Relacionados