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Max, a 'superaplicação' que a Rússia estará a usar para espiar os seus próprios cidadãos

Professores, estudantes, pais e funcionários públicos são obrigados a instalar a nova App.

No espaço de um ano e meio milhões de russos foram 'forçados' a instalar nos telemóveis uma aplicação desenvolvida pela VKontakte, uma empresa com fortes ligações a Vladimir Putin. 'Max', assim se chama a App, pretende reunir numa única aplicação vários serviços, incluindo bancários e governamentais, além de troca de mensagens, pretendendo eliminar  plataformas como o Telegram ou o WhatsApp.

Vladimir Putin, presidente da Rússia
Vladimir Putin, presidente da Rússia AP

A população é 'obrigada' a instalar o 'Max'. Russos que trabalham em instituições governamentais praticamente foram forçados a usá-lo, estudantes, professores, alunos e pais são "convidados" a migrar todas comunicações para esta nova plataforma.

"A diretora da escola chamou-nos em março e disse-nos diretamente que a partir de agora, tudo será feito pelo 'Max'. Isso inclui conversas com os pais, envio de tarefas de casa e outras comunicações da escola”, disse uma professora de uma escola de Moscovo, citada pelo The Guardian. "Não há realmente a opção para dizer não, então no final acabamos por ter de o usar."

Um estudante universitário de São Petersburgo contou, por sua vez, que fez o download do 'Max' a contragosto antes do início do ano letivo, uma vez que foi informado de que os alunos não teriam acesso aos edifícios da universidade ou aos dormitórios sem um código QR gerado pela aplicação.

Uma investigadora da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, analisou o 'Max' e concluiu que a App tem poderosas capacidades de vigilância, podendo entrar em praticamente todas as aplicações do telemóvel de cada usuário. "Estudámos a escalada do controlo da internet pela Rússia na última década. O que o 'Max' oferece é a tática mais inteligente e também a mais assustadora usada por governos autoritários para vigiar seus cidadãos", considerou a professora Roya Ensafi, avisando que este é um modelo que "qualquer governo pode seguir".

A equipa da especialista descobriu que o 'Max' pode fazer printscreens de imagens e conteúdos do telemóvel sem que o dono do aparelho se aperceba. Pode aceder a informações como mensagens e pagamentos e até mesmo instalar códigos em aplicações. Ensafi teme que o governo russo possa inclusivamente usar a aplicação para lançar ciberataques.

O Max não consegue, no entanto, aceder ao Telegram - favorito dos russos - e ao WhatsApp, mas a Rússia proibiu a utilização de ambos. 

Há no entando quem tenha dois telemóveis, um com o 'Max' instalado e outro para verdadeiro uso pessoal. "Isto é tudo para inglês ver. Ninguém na política realmente usa isto”, contou ao jornal inglês uma pessoa próxima do círculo do Kremlin, sob  anonimato.

Mas Roya Ensafi está preocupada. "O mundo está a mudar, a infraestrutura da comunicação privada está a mudar. E o ataque dos governos autoritários é muito agressivo", reconheceu a professora.

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