Projeto de lei, que introduz um "dever de vigilância digital", deverá ser apresentado esta semana no parlamento.
O Governo da Austrália pretende obrigar as redes sociais a permitir que os utilizadores desativem o algoritmo de personalização de conteúdos, anunciou esta segunda-feira a ministra das Comunicações, Anika Wells.
Anika Wells, ministra das Comunicações da AustráliaAP
O projeto de lei, que introduz um "dever de vigilância digital", deverá ser apresentado esta semana no parlamento. A Austrália encontra-se na vanguarda da regulamentação da atividade destas plataformas.
O objetivo é obrigar os gigantes da tecnologia a dar aos utilizadores a possibilidade de desativarem os algoritmos que permitem fazer recomendações personalizadas, de acordo com os respetivos gostos — o que, em princípio, os incentiva a continuar a percorrer os vídeos nos ecrãs.
"Muitos australianos apreciam o algoritmo [a personalização de conteúdos], tanto pelo prazer que lhes proporciona" como pela utilidade, explicou a ministra das Comunicações, Anika Wells, à emissora australiana ABC.
"Muitos australianos vão querer optar pelo algoritmo, mas achamos que os gigantes da tecnologia devem, em primeiro lugar, dar-lhes essa escolha", afirmou.
A Austrália promulgou em dezembro uma lei que proíbe os menores de 16 anos de aceder a muitas redes sociais, com o objetivo de os proteger do assédio online e do que o Governo classifica como "algoritmos predatórios", o que levou vários países a seguirem o exemplo de Camberra.
Dados de uma aplicação de controlo parental revelaram, em agosto, porém, que a utilização das redes sociais tinha voltado a aumentar nesta faixa etária após a sua proibição.
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