“Problemas sexuais são a sequela mais comum do cancro”

“Problemas sexuais são a sequela mais comum do cancro”
Vanda Marques 25 de novembro de 2019

A psiquiatra do Instituto Português de Oncologia Lúcia Monteiro diz que a maior parte dos casos de depressão surgem um ano após o diagnóstico. E que muitos sobreviventes ficam com défices cognitivos.

Fazer listas parece simples e prosaico, mas pode ser a salvação para muitos sobreviventes de cancro. É que uma das consequências dos tratamentos, o chamado chemobrain, resulta num défice cognitivo. O que significa? Esquecimentos e dificuldades no multitasking. Mas também há sequelas sexuais. A vida muda para sempre, explica-nos Lúcia Monteiro, psiquiatra e diretora do Departamento de Oncologia Psicossocial do IPO Lisboa, onde foi criada a primeira consulta de OncoSexologia.

Um estudo revelou que é após o primeiro ano do diagnóstico de cancro que surgem muitas depressões. Porquê?
Quando a pessoa recebe a notícia, está focada no tratamento, não há tempo para mais nada. Recebemos a maioria das pessoas na consulta de psico-oncologia já numa fase de sobrevivência. As pessoas tiveram uma atitude de combate no tratamento, estavam focadas em comer bem, em seguir os tratamentos. Tudo isso é pragmático e funcional. De repente, quando terminam, descompensam e muitas vezes têm uma depressão retardada. Porque ao retomarem a sua vida, sentem-se diferentes.

Mudou muita coisa?
Sim. E muitas vezes sentem que não são capazes de reassumir os papéis que tinham. Por vários motivos não o podem fazer. Quer seja por razões funcionais, porque têm uma dor crónica ou um braço inchado, ou simplesmente porque se acham diferentes e não conseguem assumir aquela função. Até porque cognitivamente estão um bocado deficitárias.

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